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Chover no Molhado (53)

Caro leitor, no artigo anterior disse que o nosso espírito existencial eclode da unidade saída de pensamentos e acções, dois ramos brotantes do mesmo tronco, saudável e maduro, que é o nosso espírito materializado.

N/D
3 Jan 2005

Tal espírito, ser real e concreto, é Uno. E o Uno é vida, é dinamismo, é resplendor e optimismo.
Disse também que esta unidade, em vias de crescimento, síntese dos pensamentos afectivo-emocional e racional, se abre e acolhe, sem resistências, os pensamentos intuitivo, social, moral, religioso, bem como o pensamento cujo alicerce se cimenta na Revelação Divina, através de Cristo.

Por isso, o nosso próprio espírito existencial nos segreda, em doces murmúrios, que rezar faz bem, que rezar dilata o coração, dissolve a dor e lenifica o sofrimento.

No âmago desta unidade global palpitam, no oceano das potencialidades, a medida, a liberdade, a organização, a ordem e a eficiente interdependência e cooperatividade. Numa palavra: a harmonia e a paz, hauridas do amor, do trabalho e oração, refrescam os cálidos pés da nossa vida existencial.

A pessoa anseia, calorosamente, por se unir ao espírito, como seu amigo e companheiro que a ajuda na reconstrução da sua vida e lhe abre o caminho ao acolhimento amoroso de Deus e a afirmação convicta da sua existência real e concreta.

Este é o espírito natural do Bem. É o espírito superador das relações desajustadas da pessoa com Deus e, por isso, das relações desajustadas da pessoa consigo mesma, dissolvendo o desespero, o sofrimento, o isolamento.

É neste espírito, e só nele, que as diferenças que caracterizam cada indivíduo podem livremente e à sua vontade, mergulhar, bracejar e boiar neste oceano fecundo de potencialidades, sem receios, constrangimentos e hesitações.

Com os pés fincados nisto, digo, cá para mim, nunca percas essas diferenças, nem as ocultes, mas não as imponhas ao outro que lida contigo. Educa a individualidade, controla as diferenças, segundo este espírito.

Mas a que propósito digo isto? Simplesmente para evitar o choque desastroso entre as diferenças que caracterizam os indivíduos. Simplesmente para evitar, entre eles, os conflitos estéreis e desumanos.

Peço, então, a este espírito que esvoace livremente por sobre as diferenças, afim de se tornarem complementos recíprocos e ajustados e mananciais de riqueza no desenrolar das relações entre as pessoas.

Creio ser um desejo da pessoa, tomada na sua plenitude, que este espírito, o espírito do bem, germine, qual semente, nos campos cultural, social, institucional, político, religioso e da justiça; que cresça e fortaleça, também, no abandonado e adulterado campo sexual.




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