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Caro Alfredo,

Aterram-nos as notícias (quase) diárias relacionadas com mortes nas estradas portuguesas. Vão-nos dizendo os entendidos destas contas que Portugal será o país da Europa com maior sinistralidade deste tipo.

N/D
2 Jan 2005

Quantas vidas perdidas, quanto sangue derramado, quantas lágrimas choradas, quantas desgraças familiares sem retorno, por causa destes acidentes. E a maior parte das vítimas é constituída por gente jovem cheia de sonhos de viver.
Tens ouvido como eu que não falta quem queira encontrar as causas destas desgraças. A grande e irrefutável conclusão reside na falta de cuidado dos condutores.

A estrada é perigosa e, até quanto mais moderna e sofisticada mais perigosa; a máquina é caprichosa e também ela muito perigosa; mas, acima da estrada e da máquina, está o condutor.

A este, falta frequentemente cuidado e civismo. Sobretudo civismo, que passa, claro, pela falta de cuidado. Não há civismo em parte alguma, por que haveria de haver civismo na estrada?

O civismo, vai-se dizendo, vai-se, pelo menos sentindo, pertence a categorias do passado, não tem nada a ver com a vida autêntica e descomprometida dos nossos dias. Se calhar, até é por isso que não entra em qualquer tipo de preocupação, quer na família, quer na escola.

Não te admires com o que te vou dizer: nos meus tempos de rapaz, tínhamos no Seminário uma cadeira de Civilidade e Boas Maneiras, e não me venhas dizer que agora não fariam sentido. Agora, mais que naquele tempo.

Sei de coisas que se passam nas famílias; sei de coisas que se passam nas escolas; sei de coisas que se passam nos transportes, que são de nos porem o cabelo em pé.
É caso para clamar: “Educação – precisa-se”.

E olha que nestes tempos pré-eleitorais vamos verificar ainda muito mais como a má criação campeia e, então, como vai tornar-se mais preciso clamar por todo o lado: “Educação – precisa-se”.




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