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No concernente ao conceito de autoridade e do ponto de vista etimológico, o étimo deriva do latino auctoritas, que quer dizer direito de mandar, de se fazer obedecer, de legislar ou de administrar.

N/D
1 Jan 2005

Numa análise mais profunda do vocábulo, auctoritas radica no verbo augeo, que significa crescer, aumentar, ter mais… (a “autoridade” sobre os outros resulta do facto de “ter mais” conhecimento que eles).
Ainda segundo certos etimólogos, o termo auctoritas pode derivar de auctor, pois em Roma o auctor era aquele que ensinava as leis porque as tinha feito (pensado e concebido); tinha “auctoritas”, aquele que ensinava como se devia agir.

A este propósito, evoque-se que os romanos distinguiam perfeita e correctamente auctoritas de potestas. Enquanto esta era a força coerciva que se poderia exercer fisicamente sobre os cidadãos (ex: o poder da polícia ou dos militares), a auctoritas era a força racional (ou melhor, a convicção racional) com que os experimentados senadores sabiam ditar as leis justas.

A auctoritas era a capacidade de dar indicações que não eram ordens, mas sim determinações e conselhos.

Autoridade deve, pois, implicar não só capacidade, mas também competência e segurança para dirigir e orientar determinada instituição, grupo (maior ou menor) ou até um simples tema.

Há, então, que precisar o conceito de autoridade na sua verdadeira essência, ou seja, de um modo positivo, distinguindo-o do de autoritarismo (conotação negativa) que é o abuso da autoridade: exercício do poder ao serviço daquele que manda e como meio de exploração, ou seja, autoridade como privilégio pessoal ou exercida em seu próprio benefício; é uma exacção que humilha e despersonaliza os súbditos; equipara a autoridade à potestas (poder arbitrário).

Infelizmente (e é trágico reconhecê-lo), a História da humanidade até ao séc.XVII coincide com o império do autoritarismo reinante sob a forma dos mais variados tipos de despotismo.

Apesar de todos os progressos verificados e do facto de as democracias serem maioritárias no mundo ocidental, ainda permanecem e vigoram governos, instituições e pessoas tirânicos, pois o instinto de agressão, o sentimento de egocentrismo (e de egoísmo) e o carácter dominador são o sustento que os leva a subjugar os demais.

Mas não é só nas relações políticas que se encontra este modelo de governação prepotente e opressora.

Também se constata nas relações sociais (senhorio/servo; patrão/empregado, etc) e nas famílias (desde a arbitrária omnímoda do antigo paterfamilias à crença, ainda vigente em múltiplas comunidades, de que a paternidade leva anexa a prerrogativa de subalternização dos outros familiares).

Neste sentido, as situações de autoritarismo são injustificáveis e intoleráveis, qualquer que seja o âmbito em que ocorram, por violarem a essência da natureza humana que exige liberdade, justiça e igualdade de oportunidades. É uma questão de dignidade pes-soal e de direito natural e social.

Deste modo, e num equilíbrio harmonioso com a liberdade, intui-se que a autoridade é útil, funcional, necessária e, por isso, indispensável.

Ela existe, precisamente, para orientar ou coagir o sujeito a actuar correctamente naquelas situações em que ele, por si próprio, não é capaz de o fazer ou não o quer fazer voluntariamente.

A autoridade apresenta-se, no fundo, como um substituto da falta de capacidade (ou de vontade) de auto-governo correcto, que acontece em muitos membros das instituições e das comunidades.




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