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No princípio, a família

Na sua mensagem para o passado Natal o senhor Arcebispo Primaz chamava particularmente a atenção para as crianças. E acentuava, a propósito, a importância de um bom ambiente familiar.

N/D
30 Dez 2004

«O Menino Jesus, escreveu o senhor D. Jorge, leva-me a sonhar no compromisso que aqueles e aquelas que se alimentam de Cristo devem assumir em benefício das crianças.
São muitas as feridas, na sua dignidade, provocadas pelos adultos que as humilham na sua situação de indefesas. Vejo-as obrigadas a mendigar, abandonadas à sua sorte e privadas dum amor e calor familiar.

Sinto-me indignado com a degradação familiar, os abusos sexuais, o trabalho infantil, o aproveitamento para o tráfico de drogas, o encaminhar para a prostituição a enriquecer uns poucos…»

Tudo começa, de facto, na família. É aí que se tem de investir forte, para que seja uma verdadeira comunidade de pessoas que se aceitam, se respeitam, se amam.

A família tem de ser uma verdadeira comunidade e não um simples conjunto de indivíduos que guardam os seus bens debaixo do mesmo tecto, debaixo do mesmo tecto exercem algumas das suas actividades e se encontram – quando encontram – para comer e para dormir.

Cada um dos membros da mesma família é uma pessoa e não uma coisa de que alguém se serve. Uma pessoa com a dignidade de ser humano e de filho de Deus. Uma pessoa que Deus criou à Sua imagem e semelhança.

Uma pessoa com as suas qualidades e os seus defeitos, com o seu feitio e o seu temperamento. Uma pessoa igualzinha às outras porque é pessoa mas diferente das outras porque é dotada de características próprias.

Uma pessoa que pelos outros deve ser aceite como é e respeitada como ser humano e filho de Deus que é também.

Como nas demais comunidades, também na família a comunidade é constituída por diversas unidades que têm muito em comum e cuja unidade, no respeito pela legítima diversidade, é a vida em comunhão (comum união).

Comunidade de pessoas que se aceitam e se respeitam, a família é, também, comunidade de pessoas que se amam. E o amor exige que se abatam todas as formas de egoísmo a fim de que a procura do bem do outro e a preocupação pela felicidade do outro sejam realidades no quotidiano.

Mas se é verdade que tudo começa na família, não é menos verdade que, antes da família, está o casal. É nele que a família tem origem.

E o casal nasce da decisão que homem e mulher tomam de viverem em comum, de se ajudarem a ser felizes, de se auxiliarem um ao outro como seres diferentes e complementares que são, de caminharem na vida de mãos dadas, lado a lado, na execução de um projecto comum, onde os filhos que da união do casal poderão resultar ocuparão um lugar fundamental.

O casal é a união de um homem com uma mulher e não o disparate que nos querem impingir da união de um homem com outro homem ou de uma mulher com outra mulher.

Comunidade de amor e de vida, a família necessita de estabilidade, de apoio, do reconhecimento efectivo da sua nuclear importância, do respeito pelo que é e pelas funções que desempenha.

Lamentavelmente é isso o que tem estado a faltar. Em vez de respeitada, a instituição familiar – a autêntica instituição familiar – vem sendo agredida por mentalidades que ainda se não conseguiram libertar dos desvarios ideológicos do Maio de 68.

Reconhece-se a importância da verdadeira instituição familiar mas para a aniquilar, já que a sua influência não interessa à construção da utópica sociedade sem regras onde a liberdade não reconhece justos e necessários limites.

Em vez de apoiada, a autêntica instituição familiar vê-se confrontada com dificuldades provenientes da parte de quem deveria ser um seu suporte. Em vez de um valor a preservar e a defender, a verdadeira instituição familiar é, por vezes, tratada como alvo a abater.

Até quando?




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