Fotografia:
811. Meu caro Leitor:

1Natal passado, Ano Novo à porta! E a certeza, laminada e espúria, de que o tempo passa, o tempo voa! E nós nele e com ele!

N/D
29 Dez 2004

O tempo é um rio, incessantemente, correndo. Umas vezes, fluindo, outras, tumultuando! E nós, sentados nas margens da vida, nas abas do tempo, damos connosco a pensar, muitas vezes, como tudo é fugaz, como somos breves!
Estamos, pois, às portas dum Novo Ano! Mais um! Os anos passam, vertiginosamente, fagueiros e ledos. Como sombras, ou rastos de ilusões! E nós, embarcados neles quais mareantes de procelosos mares, em demanda da tal Ilha Encantada que só existe em sonhos!

Por isso, depois de depois de amanhã vai ser um Novo Ano! E como será o Novo Ano?
Não sabemos, caro leitor, ou sabemos muito pouco. Apenas, uma certeza nos domina: os anos não são, em si, bons nem maus. Os homens, nós, como safra de seara ou vinhedo, os fazemos maus ou bons!

Com acções de inteligência, solidariedade, generosidade, tolerância, ciência, tecnologia, cultura, de coisas boas e más, assim fazemos os anos bons ou maus! Até no tempo que faz (o vento, a chuva, o sol, o frio, o calor…) há a marca do homem (individualista, globalizado, despótico), responsável primeiro pela poluição dos ares e dos mares!

Mas, todos nós podemos fazer alguma coisa para inverter a situação. Mas, se não podemos, não queremos ou não o sabemos fazer, ao menos não façamos mal!

2. Assim, meu bom Amigo, às portas de um Novo Ano, era bom que ele fosse um Ano Novo! Com menos guerra, fome, violência, exclusão e mais solidariedade, paz, justiça, fraternidade!

E, aqui, outra vez a mão do homem, o poder do homem através da política que, em vez de nobre arte de governar, tem sido baixo truque de desgovernar!

O país vive amargurado, pessimista, desencantado. Têm sido anos, atrás de anos sem que se dê um rumo certo às coisas, à vida nacional.

Temos sido, sucessivamente, governados por maus políticos e más políticas. Os mais competentes, sérios e capazes fogem da política, deixando campo aberto aos oportunistas e carreiristas, que acabam por montar o cavalo do poder e cavalgando vão para o abismo.

Tristes verdades! Verdades Tristes!

E, como é de boa tradição, aqui deixo, como doze uvas passas doces ou amargas, doze desejos para o Novo Ano:

1.° – Que Jorge Sampaio consiga descalçar a botifarra das próximas eleições, mormente se o PSD e o PP fizerem maioria;

2.° – Que Santana Lopes não faça da campanha eleitoral, no jeito da governação, mais uma trapalhada;

3.° – Que Sócrates fale menos para não ser a segunda picareta falante do guterrismo;

4.° – Que Jerónimo de Sousa não teime em desenterrar o cadavérico marxismo-leninismo;

5.° – Que Paulo Portas volte às feiras e mercados que é aí onde ele sente o genuíno pivete a peixe e a nabo;

6.° – Que Louçã mude de cassete, se já sonha em ser governo com o PS;

7.° – Que Cavaco Silva não se fique pelas palavras, se quer fora da política os incompetentes;

8.° – Que Mário Soares comece a ler a Bíblia e a preparar a Vida Eterna que bem precisa;

9.° – Que Freitas do Amaral se cuide, senão qualquer dia está no Bloco de Esquerda e a cantar a Internacional;

10.° – Que os donos da bola, em vez de apitos dourados, promovam para a arbitragem chupetas de piripiri;

11.° – Que os empresários e economistas estudem, agora, as sebentas que não estudaram na universidade;

12.° – Que os dinossauros da política se fossilizem de vez!

Quem sabe, talvez assim, deixemos a cauda da Europa!

Com votos de Bom Ano e até de hoje a oito!




Notícias relacionadas


Scroll Up