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Para uma «excitação» das ideias filosófico-políticas

Acaba de sair entre nós uma obra que, interessa essencialmente aos políticos, na medida em que ao entrarem em contacto com as ideias filosófico-políticas do século XX, talvez assim possam perceber um pouco melhor a problemática do humano no âmbito teórico-político e, acima de tudo, nas questões ético-políticas

N/D
28 Dez 2004

Pensamento Político Contemporâneo: uma introdução”. Org. João Carlos Espada, João Cardoso Rosas. Lisboa: Bertrand Editora, 2004.
“… este livro assenta numa atitude intelectual comum, que compreende muitas inclinações e sensibilidades saudavelmente diferentes. Esta atitude comunga da crença na importância das ideias para a vida social e política. E, seguramente também, comunga da esperança em que a «excitação das ideias» possa contribuir para elevar, e não baixar, o olhar dos que a partilham.”

Acaba de sair entre nós uma obra de elevada importância cultural e intelectual:

uma obra que, à partida, interessa não só a curiosos, como também a estudantes, a professores, a investigadores e aos políticos – essencialmente aos políticos, na medida em que ao entrarem em contacto com as ideias filosófico-políticas do século XX, talvez assim possam perceber um pouco melhor a problemática do humano no âmbito teórico-político e, acima de tudo, nas questões ético-políticas -, para a compreensão do fenómeno político, este enquadrado, no cânone universitário, na disciplina denominada Filosofia Social e Política

(para uma compreensão desta problemática disciplinar e programática salienta-se o artigo de Acílio da Silva Estanqueiro Rocha intitulado “Em Torno da «Filosofia Social e Política»” e publicado na revista Diacrítica (1997).

O livro agora publicado tem três grandes méritos:

I) abrir à sociedade civil o que hoje se estuda e se discute no âmbito duma filosofia política no meio universitário;

II) os organizadores, um da Universidade Católica, João Carlos Espada – organizador de livros do mesmo âmbito, tais como A Invenção Democrática (2001), Liberalismo: o antigo e o novo (2001) e Pluralismo sem Relativismo (2003) – e o outro da Universidade do Minho, João Cardoso Rosas – organizador do volume Ideias e Políticas para o Nosso Tempo (2004) – congratulam-se pelo espírito inter-universitário patente nos colaboradores, os quais são das mais variadas instituições universitárias do país;

III) finalmente, oferecem ao leitor uma visão panorâmica das teorias filosófico- -políticas do século XX até aos nossos dias.

Os próprios organizadores não só colaboram, como também efectuam uma introdução projectual de cada parte constitutiva do livro:

I) A Democracia Liberal e o Espírito Inglês,

II) Justiça, Indivíduo e Comunidade,

III) Liberdade e Virtude,

IV) A Modernidade em Questão.

Vejamos os autores que são estudados: Karl Popper, Friedrich Hayek, Michael Oakeshott, Isaiah Berlin, John Rawls, Robert Nozick, Michael Walzer, Charles Taylor, Jacques Maritain, Quentin Skinner, Joseph Raz, John Kekes, Alasdair MacIntyre, Hannah Arendt, Herbot Marcuse, Leo Strauss, Jurgen Habermas e Richard Rorty.

Na parte final do livro surge-nos a bibliografia, a qual abrange a bibliografia activa e passiva dos autores que são estudados, não só aparecendo a indicação bibliográfica original de publicação, como também nos surge a indicação da respectiva tradução em português ou em espanhol.

Salvo raras excepções, tais referências acabam por não surgir: falamos do caso de Alasdair MacIntyre, cujas obras, caso de After Virtue, Whose Justice? Which Racionality? e Three Rival Versions of Moral Enquiry encontram-se traduzidas em espanhol.

O segundo título de MacIntyre existe traduzido em português-brasileiro. Outro exemplo que poderíamos citar seria o de Michael Walzer, cuja obra On Toleration encontra-se traduzida em português do Brasil.

Outros casos poderíamos citar, por exemplo, o de Charles Taylor… Evoco tal situação porque dá-nos a entender que foi um processo metodológico seguido por uns e por outros não, faltando uma unidade configuradora a este nível.

Para além das referências bibliográficas, as quais são sempre um ponto de partida para uma leitura mais ampla e interpretativa, assim como compreensiva, dos autores que configuram a política numa perspectiva filosófica, quer na língua original, quer numa tradução, estamos perante um livro que orienta o leitor, e isto é o essencial, para um debate profícuo das ideias político-filosóficas na sociedade contemporânea:

entre a democracia liberal e as suas críticas comunitárias, passando pelas questão relacional entre a liberdade e a virtude – estando aqui patente a problemática duma ética das normas com uma ética das virtudes, ou se ambas as éticas actuam isoladas -, até ao dilema da importância duma racionalidade prática com as suas próprias intenções axiológicas.




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