Fotografia:
Nótulas soltas da minha agenda

1Fiquei perplexo com a notícia divulgada na semana passada de que em Inglaterra algumas escolas públicas não iriam assinalar o Natal por causa da fé de outras crianças!

N/D
27 Dez 2004

… É espantoso como a propósito da tolerância se está a promover a amnésia colectiva.
Provavelmente teremos que demolir as torres das igrejas, as fachadas góticas pejadas de imagens, despedaçar os vitrais da Idade Média… de tudo isto e o muito mais que nos espera (não só na Inglaterra, mas também, brevemente, cá na Lusitânia!) em nome da tolerância! Naquele país o chefe da Igreja (Anglicana) é a Rainha… até quando?

2. A promoção da amnésia colectiva é um dado incontestável no dia a dia. Um povo sem memória é um povo sem futuro!

3. A situação política do nosso país está calamitosa. Falta bom senso. Prudência. Como me faz lembrar, como já aqui o referi várias vezes, o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX!

4. Passou a época da alienação das compras a que continuam, e mal, a chamar Natal! Aproxima-se outra época de alienação pelo barulho, champanhe e gastos brutais em passagens de ano!

Tudo isto num país onde haverá mais de 200 mil habitantes a passar fome! Mas limpou-se a consciência dando uns quilos de mercearia ou uns brinquedos à porta de uma qualquer superfície comercial ou na rua!

O resto do ano, os pobres que comam a recordação desta época. Que se alimentem da memória. O estômago que se habitue a satisfazer-se uma vez por ano. Dirão alguns que sempre é melhor comer uma vez (por ano!) a nunca comer! Ah, como seria bom que a situação se invertesse uma semana só: que os pobres pudessem ser ricos e os ricos, pobres.

Bastaria.

5. Há dias recebi um telefonema, em casa de um antigo colega de Faculdade.

Comentou-se a fotografia que acompanha estas Nótulas. Disse-lhe: «É uma mentira. Já passaram dez anos sobre o dia em que a fiz!» Prometi a mim mesmo que vou mudar.

E vou mudar de fotografia por uma razão simples: não gosto de parecer (e de ser!) o que não sou. Como diz uma das minhas netas: «o Avô tem o cabelo cinzento, o meu papá tem-no preto!»

A verdade sai sempre pela voz das crianças. Assumo as minhas cãs. Também nas minhas Nótulas. Gosto de ter a idade que tenho. Gosto da cor dos meus cabelos. Identifico-me comigo próprio.

Brevemente os meus leitores irão ver a minha vera efígie!




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