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A Igreja em estado de reconciliação

Saibam as comunidades cristãs em Portugal aproveitar a frescura de juventude, de ecumenismo e de reconciliação que nos virá da vivência de Taizé

N/D
27 Dez 2004

Sempre houve fracturas na Igreja. Cisões. Divisões. Sempre as haverá.
Se a unidade é uma esperança (Cristo pediu-a numa das suas orações finais), ela continua a ser uma utopia sempre em conquista. Sempre prolongada. Sempre adiada.

Por outro lado, Cristo também previu a divisão, mesmo entre os membros da mesma família, por causa do seu nome (pai contra a mãe, filho contra o pai, nora contra a sogra, etc.). Mesmo na Igreja…

Será este problema no interior da Igreja (das comunidades) uma fatalidade? Será o caminhar para a unidade uma utopia inatingível?

Movido pela curiosidade e também pela emoção e pela experiência, aquando das minhas viagens por essa Europa adentro, dei-me ao cuidado de passar por Taizé mais que uma vez.

Numa pequena aldeia da Borgonha, nas imediações de Bordéus, ali está um dos sinais mais eloquentes desta procura de unidade, através da Igreja da Reconciliação e a partir daquela comunidade simples de religiosos, fundada e dinamizada pelo protestante Roger Shultz – protestante mas com ligações familiares à Igreja Católica.

Já li vários livros (muito interessantes) deste religioso ecuménico, e escutei muitas das canções religiosas que ali se cantam, em louvor a Deus.

Sei que milhões de jovens de todo o mundo ali vão fazer a sua experiência religiosa de silêncio, de intimidade com Deus, de reconciliação e de ecumenismo.

Sei também que, de ano a ano, se promove uma experiência colectiva de jovens em países diversos, neste clima de reconciliação, de interioridade e de partilha religiosa e humana.

Muitos jovens portugueses fizeram já esta experiência não só em Taizé, em França, mas também noutros pontos do mundo. E tem sido uma experiência muito enriquecedora, envolvente e entusiasmente.

No final deste ano, Lisboa vai viver a experiência dum encontro europeu de juventude, dentro do ideal e das perspectivas ecuménicas de Taizé. Está a ser tudo preparado ao pormenor em Lisboa e o seu eco fez-se já sentir em muitas comunidades e grupos de jovens deste país.

Por aquilo que vou conhecendo do movimento taizeano, esta iniciativa constituirá um grande acontecimento para a nossa socie-dade e, em particular, para as nossas Igrejas e comunidades (católicas, protestantes, ortodoxas). De modo especial, para os grupos de jovens das nossas paróquias.

Saiu, entretanto, um CD com cânticos de sabor a Taizé. Bonitos cânticos, numa dimensão teológica, pastoral e ecuménica bem a condizer com as correntes pastorais de hoje e totalmente contra os radicalismos teológico-pastorais que por aí vão acontecendo, tentando embruxar a abertura de todos os crentes ao seu Deus, que liberta e que salva.

Seria bom que a nossa juventude (os nossos grupos paroquiais) não se alheassem deste acontecimento nacional e europeu, como é o Encontro Europeu da Juventude que se realiza no final do ano na cidade de Lisboa.

Mais do que o acontecimento social e cultural em si, importa reter a interioridade e a abertura da mensagem da reconciliação e da partilha.

«Pai, que todos sejam um… que haja um só rebanho e um só pastor… que todos sejam construídos na unidade» – diversas expressões do mesmo pedido de unidade, dirigido não só aos católicos mas também aos protestantes e ortodoxos.

E, quiçá, a todos aqueles que adoram na justiça e na verdade o único Deus Criador e Salvador.

A 5 de Outubro de 1986 João Paulo II visitou Taizé e aí teve esta frase: «passa-se por Taizé como por uma fonte. O viajante detém-se, refresca-se e continua o seu caminho».

Aliás, João XXIII teria dito um dia: «Ah! Taizé, essa pequena Primavera».

Saibam as comunidades cristãs em Portugal aproveitar a frescura de juventude, de ecumenismo e de reconciliação que nos virá da vivência de Taizé.




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