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Assobiar na igreja

ui, no passado dia 15, à noite, a um concerto de Natal promovido pelo Centro Regional da Universidade Católica, o qual teve lugar na capela da Faculdade de Teologia, na rua de Santa Margarida.

N/D
24 Dez 2004

Tocava a orquestra do Conservatório de Braga, sob a direcção do maestro António Batista, e cantava o coro da mesma instituição.
Foi um momento mauito bonito de elevação espiritual, com peças que se integravam perfeitamente na quadra natalícia. Ouvir música deste género é para mim e para muitas outras pessoas uma autêntica oração porque o nosso coração e a nossa mente se elevam para Deus levados pela beleza da arte.

No fim do concerto, porém, desci à terra bruscamente.

Confesso que me senti até um pouco irritado. Com grande espanto meu, começo a ouvir, por entre as palmas vibrantes, alguns assobios! Passou-me pela cabeça que estivessem a vaiar a actuação da orquestra e do coro.

É claro que a orquestra do Conservatório, composta maioritariamente por estudantes, não é a Filarmónica de Berlim nem o maestro António Batista, o Herbert von Karajan!

No entanto, tinham acabado de fazer música e não se premeia com assobios a actuação de jovens que, certamente, se esforçaram por dar-nos o seu melhor.

Comentando o caso já fora da capela, disseram-me que os assobios eram uma forma de aplaudir, como acontece, por exemplo, nos concertos de música pop.

Se assim é, acho simplesmente um disparate! Entre gente civilizada, aplaude-se a música batendo palmas e gritando, “bravo”, “bravo”, nos casos de uma interpretação arrebatadora! Por este andar, qualquer dia, em vez de aplaudirmos com as palmas das mãos começamos também a aplaudir com as plantas dos pés!

Quer dizer, aplaudimos pateando!

Enfim, ainda que os assobios fossem de aplauso, continuo a achá-los despropositados. Não ficam bem numa igreja.

Assim como há músicas que não devem lá ser tocadas, também há maneiras de aplaudir que não se enquadram lá bem.

Perante estes e outros factos não podemos depois estranhar que as autoridades religiosas pretendam rever os critérios de utilização dos espaços sagrados para concertos de música ou outras actividades não especificamente religiosas como, por exemplo, visitas turísticas.

É que acontecem coisas verdadeiramente inacreditáveis. Ainda há pouco tempo, também num concerto de música numa igreja, alguém levou para lá o seu caniche de estimação!

Num outro caso, um casal de jovens comia gulosamente bocados de “pizza” enquanto passeava pelo templo contemplando os vitrais e as esculturas. Sinceramente, não acho apropriado. As refeições na igreja são de outra natureza…

E já agora, termino com outro episódio perfeitamente risível que presenciei em Espanha. Dentro de uma catedral, passeava calmamente um turista equipado com calção e camisola da selecção alemã de futebol, número nas costas, chuteiras e tudo. Um autêntico ponta-de-lança!

Temos que saber como nos devemos comportar nos lugares em que nos encontramos, nas diversas circunstâncias.

Se não sabemos nem temos a preocupação de saber, acabamos por sofrer as consequências: passamos por mal educados e, sobretudo, tornamo-nos incómodos para as outras pessoas.

A vida em sociedade, que podia ser muito mais amena, torna-se desagradável e desistimos até de ir a certos lugares e conviver. Conheço uma pessoa que jurou não mais ir ao cinema em Braga por causa das “bocas” que lá ouvia.

Já lá vão alguns anos e creio que tem cumprido.




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