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Tempo de encontro

E porque Ele veio para ficar, também o espírito de Natal é para ser vivido o ano inteiroe não apenas algumas horas por ano

N/D
23 Dez 2004

Vejo o Natal como a festa do encontro. Do encontro de Deus com os homens, do encontro dos homens com Deus, do encontro dos homens entre si.

Encontro dos homens com Deus. Celebramos no Natal a encarnação do Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Encarnando em Jesus Cristo, Deus tomou a iniciativa de vir ter connosco, para se nos apresentar como Alguém que nos ama até ao ponto de se entregar por nós.

Não pode haver Natal digno desse nome sem uma referência explícita a Jesus Cristo. Ele é o ponto central da festa que celebramos.

Hoje, talvez mais do que nunca, é imperioso que os cristãos tomem consciência disso.

Para que denunciem todas as tentativas de paganização do Natal, que procuram convertê-lo numa simples quadra festiva onde se come e bebe; onde se fazem manifestações de novoriquismo; onde se exibe uma ocasional solidariedade; onde os cabazes de natal e os donativos aos carenciados, amplamente publicitados, são usados como instrumento de propaganda política; onde a preocupação é estimular o consumo e o supérfluo para conseguir facturar mais.

Mas o pior é quando, não só a não denunciando, os mesmos cristãos colaboram, consciente e ou inconscientemente, nessa paganização.

O Natal é também o encontro do homem com Deus. Tendo-se feito um de nós para nos dizer termos em Deus um Pai que nos ama, Jesus lembrou-nos também o dever de amarmos a Deus e de lhe darmos o primeiro lugar na nossa vida, procurando, com tudo o que fazemos, o seu louvor e a sua glória e colaborando na construção do seu Reino.

Este é o mundo novo anunciado há muitos séculos por Isaías, que supõe um novo rela-cionamento entre os homens, ba-seado nos valores da Verdade, da Justiça, do Amor e da Paz. Reino de Deus que principia no coração de cada homem e leva a uma renovação interior, já que sem homens novos não há mundo novo.

Lembrou também Jesus que o amor a Deus é inseparável do amor ao próximo. Um e outro são como as duas faces da mesma moeda ou as duas páginas da mesma folha. Destruído um, destrói-se também o outro.

É impossível amar a Deus sem amar o homem que Deus criou à sua imagem e semelhança. Beijar a imagem do Menino Jesus significa a decisão de acarinhar e servir – não de as usar ou de delas se servir – todas as crianças do mundo, por remelosas e pouco cuidadas que se apresentem.

Tempo de encontro, o Natal é tempo de reconciliação. É tempo de esquecer ofensas e agravos. É tempo de meter pés a caminho e ir ter com quem se está de relações cortadas, às vezes por um motivo bem fútil. Celebrar o Natal é não consentir que as ervas cresçam no caminho que me leva ao outro.

Neste Natal de 2004 é imperioso que a comunidade portuguesa se reconcilie. Que, aceitando as diferenças, nos demos as mãos, unindo-nos na busca do que é realmente melhor para o nosso País.

Celebrar o Natal é comemorar a vinda de Deus ao mundo, em Jesus de Nazaré. Mas o Emanuel, Deus connosco, veio para ficar. Ele continua presente na Sua Palavra. Nas comunidades cristãs reunidas em seu nome. Na Santíssima Eucaristia.

Nos homens – em todos os homens – de quem quer ser irmão, particularmente nos que vivem a braços com alguma das diversas formas de pobreza. E porque Ele veio para ficar, também o espírito de Natal é para ser vivido o ano inteiro e não apenas algumas horas por ano.




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