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Educar -a arte por excelência (19)

Acresce ainda que a cultura, a História e a sociedade em que o indivíduo vive, com as suas leis e valores, impõem igualmente certos tipos de limitações (restrições) à liberdade.

N/D
23 Dez 2004

No entanto, e apesar destes condicionalismos, o Homem, como produtor de cultura, perante tais influências, possui a capacidade de as orientar, modificar, corrigir e aperfeiçoar.
Assim se explica a evolução e o progresso incontestáveis da humanidade que atravessam e definem a essência sociocultural dos períodos históricos.
Neste contexto, o acto livre é justamente aquele que é ponderado e que obedece a uma opção racional (existindo mesmo um desejo ou tendência que o impele noutro sentido).

Assim, o mais alto grau de liberdade é a capacidade que o homem tem de, entre as acções possíveis, permitidas e correctas, seleccionar a melhor.

Assim entendida, a liberdade é uma conquista constante, um processo de libertação das limitações que contínua e racionalmente procuramos superar.

A liberdade supõe a existência de condições e de normas que a podem limitar, mas é no enquadramento dos condicionalismos que o homem realiza o sentido das suas escolhas e se faz um indíviduo plenamente livre.

Este processo de libertação realiza-se solidariamente com os outros no interior de um grupo.

A vivência da liberdade humana no interior duma comunidade com leis próprias faz do homem um ser autónomo e consciente, capaz de decidir e aderir a valores de sentido universal, de contestar aqueles que violam a natureza e a dignidade humanas e de propor outros com elas consentâneos e promotores do verdadeiro desenvolvimento social.

Pela liberdade, o homem faz-se um ser responsável pela sua própria acção (e conduta) e adquire uma dignidade própria: torna-se pessoa moral.

Por pessoa entende-se não o indivíduo no sentido biológico, mas um ser racional autónomo e criativo que se realiza na livre disposição de si próprio, consciente dos seus direitos e deveres na sociedade e capaz de se propor projectos e ideais a concretizar livremente.

Em suma, podemos afirmar que a liberdade é um dado imediato da consciência (experimentamo-lo livremente), é exigida pela nossa constituição biológica (o homem é geneticamente livre para poder escolher, optar e decidir) e é o fundamento da moral, tanto individual, como social.

Daqui se infere que liberdade é muito diferente de libertarismo. Há pessoas que consideram que a liberdade consiste em cada um fazer o que quer, deseja ou lhe apetece, sem condições e sem restrições.

Então, a liberdade seria a faculdade de poder agir bem ou mal, acertada ou erradamente, mesmo prejudicando-se a si mesmo ou aos demais. É a liberdade sem limites. Trata-se de uma mentalidade “libertária” (sem normas).

O libertarismo vê a liberdade como um fim em si (acima dos direitos e dos valores; liberdade como capricho egoísta; liberdade individualizadora): é “a minha liberdade acima de tudo e acima da liberdade dos demais”.

Esta teoria está a um pequeníssimo passo da libertinagem que tem como essência a atitude de total emancipação das regras e o uso da liberdade para agir mal e para ir acintosamente contra as normas (é uma concepção anti-regras). Esta ideologia é apologista de uma conduta de devassidão dos costumes.

O libertarismo e a libertinagem são profundas desvirtuações e aberrações do conceito de liberdade.

A verdadeira liberdade (na autêntica acepção do termo e do conceito) é um meio para conseguir os fins da pessoa humana (o comportamento racional, com tudo o que isto significa); pressupõe “a minha liberdade conjugada com a ordem objectiva das coisas e com a liberdade dos outros”; respeita as leis, os direitos e os valores; é uma liberdade personalizadora; é liberdade como autonomia moral.




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