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Carta de Natal – 2004

Estimados leitores, é bom, neste tempo terno e encantador do Natal, reflectirmos sobre o modelo da Família de Nazaré e na grande lição de amor e de humanidade que, através dela e do seu Divino Filho, Deus quis transmitir-nos

N/D
23 Dez 2004

Meus prezados leitores:
É costume, nesta quadra natalícia, enviar-se a familiares e a amigos, sobretudo àqueles que mais afastados vivem, cartões alusivos às festas que se vão celebrar, expressando votos de que sejam vividas com muita felicidade e saúde e em ambiente de paz e fraternidade.

Fruto das grandes mudanças tecnológicas que se vêm operando nos sistemas de comunicação, tem-se assistido a um progressivo abandono do tradicional meio postal em benefício do telemóvel (SMS) e do e-mail.

Seja como for, tendo em consideração a estima ou, pelo menos, a paciência com que, semanalmente, fazem o favor de me acolher em vossas casas, através da coluna que mantenho neste jornal, entendi que devia hoje utilizá-la para lhes fazer chegar uma singela mensagem de Natal, escolhendo para tema o valor da família e o exemplo da sagrada Família de Nazaré.

Como certamente se têm apercebido, vêm-se multiplicando os ataques à família e ao instituto do matrimónio que lhe serve de base estável e que é garantia da sua unidade.

Tais afrontas têm-se traduzido numa ostensiva desvalorização do casamento, designadamente através da equiparação jurídica deste às uniões de facto, da pretensão (já consumada em alguns países ocidentais) da sua extensão aos casais homossexuais e da concessão de um tratamento de favor fiscal àquelas uniões de facto, sejam elas hetero ou homossexuais.

É nesta linha que tem de ser entendida a recente escolha das figuras do futebolista inglês David Beckham e da sua esposa Victoria para, num presépio do célebre museu de cera Madame Tussaud, em Londres, representarem S. José e Maria, respectivamente.

Para além de chocante e desrespeitosa para os cristãos, esta representação da Natividade – na qual, aliás, figuravam outras personalidades públicas inglesas – é, como bem denunciou o jornal “Times”, uma ilustração perfeita “do culto das celebridades levado ao absurdo”.

Ora, sabendo-se, como se sabe, que a família é o elemento fundamental da sociedade e que constitui até imperativo constitucional do Estado português a sua defesa e protecção, não pode aceitar-se passivamente a destruição da célula básica do tecido familiar e, consequentemente, da comunidade humana que sobre o mesmo se estrutura.

Por isso, estimados leitores, é bom, neste tempo terno e encantador do Natal, reflectirmos sobre o modelo da Família de Nazaré e na grande lição de amor e de humanidade que, através dela e do seu Divino Filho, Deus quis transmitir-nos.

O Paraíso que Ele nos aponta só será alcançável se fizermos da família a primeira e mais virtuosa escola de vida, em que os pais funcionem como os grandes educadores e formadores dos filhos, respeitando-os e estimulando o seu desenvolvimento integral e em que os filhos respeitem os pais e lhes retribuam os carinhos e cuidados que deles receberam.

E tudo isto num ambiente de grande solidariedade e confiança mútuas.

É este o desígnio de Deus do qual resulta, inequivocamente, o carácter divino da instituição familiar. O Seu amor infinito pela humanidade determinou-O a identificar o Seu Filho com o homem, no seio de uma família por Si escolhida.

Eis a prova maior de que o Seu amor é incindível do afecto que nutre pela família e do carácter essencial que lhe atribuiu na realização e santificação do homem.

É com este sentido de partilha de uma mais intensa e melhor vida familiar e de necessidade de testemunharmos activamente o valor divino da família, na sociedade e na política, que lhes desejo um Santo Natal e um novo ano repleto de saúde e felicidade.




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