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O que é uma biblioteca de leitura pública

1. A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas

N/D
19 Dez 2004

A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas resulta de um programa iniciado em 1987, que tem como objectivo a criação e desenvolvimento de modernas bibliotecas públicas municipais em cada um dos concelhos do país, com o apoio técnico e financeiro do Ministério da Cultura, através do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.
De acordo com o IPLB estas bibliotecas bem localizadas e com forte impacto no contexto urbano, quer sejam construídas de raiz, quer instaladas em edifícios com valor patrimonial reconhecido – disponibilizam gratuitamente a todos, adultos, jovens e crianças, serviços muito diversificados, em espaços de sociabilidade, funcionais, confortáveis e atractivos.

As suas colecções, organizadas em livre acesso nas Secções de Adultos e de Crianças, são variadas, coerentes, actualizadas regularmente e cobrem todos os domínios de possível interesse.

Além do empréstimo domiciliário e da consulta no local de livros, jornais, revistas e outro tipo de documentos, nomeadamente áudio, vídeo e multimédia, os serviços prestados incluem a aprendizagem aberta, a informação à comunidade, a auto-formação e a ocupação criativa dos tempos livres.

Por outro lado, em paralelo com os suportes tradicionais, é facilitado o acesso a recursos electrónicos e colecções digitais. Ao contribuir para divulgar e tornar acessíveis as novas tecnologias da informação e da comunicação, as bibliotecas municipais procuram igualmente combater quaisquer formas de exclusão cultural e social.

Estas bibliotecas, também chamadas de Leitura Pública, prestam ainda uma especial atenção aos diferentes grupos sociais existentes no meio, colaboram com a Rede de Bibliotecas Escolares e contribuem para fortalecer a identidade cultural.

Para isso, constituem um Fundo Local e promovem múltiplas actividades culturais e de informação, dirigidas aos vários públicos potenciais presentes na comunidade em que se inserem – sem esquecer as pessoas com limitações temporárias ou deficiências – para o que dispõem de espaços e recursos adequados a esses fins.

Neste momento já foram inauguradas e encontram-se em pleno funcionamento 26 bibliotecas com as características atrás descritas, que contemplam os princípios enunciados no “Manifesto da UNESCO para as Bibliotecas Públicas”, enquanto mais 120 se encontram em diversas fases de concepção ou construção/adaptação.

Tal significa que perto de 90% dos 278 municípios portugueses já promoveram a construção das suas bibliotecas (algumas com anexos e/ou serviços itinerantes) esperando-se que a totalidade do país esteja coberta pela Rede de Bibliotecas Públicas a partir de 2006.

2. O papel desempenhado pelas bibliotecas públicas na promoção do livro e da leitura

É evidente, para quem está no terreno, que na esmagadora maioria das localidades onde existem bibliotecas a funcionar em pleno, a sua efectiva implantação na comunidade é indesmentível (aliás a sua inauguração constitui sempre uma festa de grande impacto, acompanhada de diversas iniciativas culturais e lúdicas marcantes), tendo-se tornado rapidamente no mais importante centro cultural e informativo local, o que é complementado pelo apoio imprescindível que dão aos estabelecimentos de ensino dos mais diversos graus ou à formação ao longo da vida.

Este papel é confirmado pelo número de leitores inscritos, pelo volume dos empréstimos, pela constante utilização dos seus diversos serviços e pela significativa frequência que as actividades de animação e de acção cultural que promovem suscita.

A existência de fundos documentais enciclopédicos e pluralistas, cobrindo todos os domínios do conhecimento, assegura quotidianamente uma função essencial na promoção do livro e da leitura junto de toda a população, privilegiando contudo os mais jovens.

As colecções de uma biblioteca pública, libertas de qualquer tipo de censura, procuram reflectir e responder aos interesses de toda a comunidade, pois sabe-se que a opinião de cada leitor tem da sua biblioteca, a utilização que dela faz, a regularidade com que a frequenta – tudo isto depende essencialmente da composição e constante actualização/renovação dessas colecções.

Mas não é só a presença física permanente dos livros (e de todo o tipo de impressos e de documentos noutros suportes) nas biblio-tecas públicas que tal permite e incentiva.

É também a disponibilidade constante dos que nelas trabalham para aconselhar, orientar ou mesmo sugerir leituras aos que as procuram.

São também os catálogos informatizados e o acesso a outros recursos informativos (nomeadamente à internet), os serviços de referência, as exposições, as apresentações de novos títulos, todas as iniciativas culturais à volta dos livros que as bibliotecas promovem que as tornam num lugar de eleição.

Com efeito, em quase todas as bibliotecas públicas realizam-se regularmente sessões de apresentação de novos livros, com a presença dos autores, ou encontros com escritores convidados para falarem da sua vida e da sua obra, aproximando o público dos criadores e da literatura que se faz no país.

Debates e conferências sobre os mais diversos temas são realizações habituais nestas bibliotecas, sempre complementadas, como nos encontros atrás referidos, com pequenas exposições bibliográficas, cadernos de documentação, bibliografias e vendas dos livros ou discos que estão na base de tais iniciativas.

Cumprindo uma velha tradição, estas bibliotecas apresentam com frequência exposições bibliográficas e documentais, por si concebidas ou recorrendo a outras instituições, quer para revelar o seu património, quer para suscitar a atenção do público sobre temas específicos, muitas vezes relacionados com a vida da comunidade e a sua história.

As crianças e os leitores mais jovens são contemplados quase diariamente com actividades de animação da leitura (hora do conto), encontros com escritores e ilustradores, conversas sobre livros e também com exposições e iniciativas complementares para elas especialmente concebidas.

Nos últimos anos as bibliotecas têm promovido recitais de poesia ou espectáculos teatrais que contam com uma crescente adesão do público, conquistando muitos jovens para a fruição da poesia.

Como se vê, é já de primordial importância, aliás como lhe compete, o papel das bibliotecas públicas na promoção do livro, no desenvolvimento da leitura, na divulgação da literatura, fervilhando o país em iniciativas que pretendem concretizar tais objectivos, contribuindo simultaneamente para o reforço da cidadania.

3. A biblioteca no quotidiano

Uma biblioteca integrada na Rede de Bibliotecas Públicas deve, no meu entender, ser encarada como um equipamento de base e de massas e, sendo um serviço público gratuito, cultivar a sociabilidade e apostar na proximidade das comunidades que serve.

Podemos compará-la, numa linguagem facilmente entendível, a uma grande superfície comercial a que todos acorrem pelas mais diversas razões, mas onde os produtos (bens e serviços) são fornecidos gratuitamente.

Assim, também nestas bibliotecas:
– a entrada é livre e desejada, incentivada;
– a circulação é fácil, existe sinalética (placas ou painéis) bem perceptível, que nos conduz aos espaços que buscamos;
– os produtos (livros, revistas, jornais, audiovisuais e multimédia) que procuramos são variados, diversificados, de todos os tipos, encontram-se em diferentes suportes e quantidades, bem organizados e acessíveis;
– a liberdade de escolha é total, perante a selecção de produtos (colecções) apresentados – muitas vezes leva-se o que não se quer, o que não procuravamos, mas que de repente nos surge como uma tentação irresistível;
– a moda é seguida: apresentam-se com destaque, apelativos, os últimos títulos de livros, filmes e discos, indicam-se os “sítios” da Internet mais úteis;
– também há promoções: uma selecção cuidada de documentos de um certo autor ou de um determinado tema da actualidade para que se chama a atenção;
– destacam-se em ênfase os produtos locais (autores e temas);
– somos postos permanentemente perante o desafio, a tentação dos diversos bens (as colecções) e serviços que aí encontramos;
– o horário de funcionamento é amplo e adequado às nossas necessidades: as bibliotecas estão abertas quando precisamos, quando temos disponibilidade para as frequentarmos;
– é feita publicidade, marketing, para nos atrair à sua utilização.

Mas, além disso, as bibliotecas de leitura pública apresentam mais valias incontornáveis:
– são gratuitos todos os bens e serviços que nos proporcionam (por ex., navegar na Net);
– existe um atendimento personalizado, feito por pessoal especializado;
– oferecem um espaço encantatório
exclusivamente dedicado às crianças;
– orientam para outros recursos informativos;
– incluem zonas destinadas às mais diversas acções culturais e à animação;
– dispõem de um bar.

Braga vai dispor finalmente de um equipamento com estas características, resultante da conjugação de esforços e da vontade do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, da Universidade do Minho e ainda da câmara municipal, culminando um projecto lançado no final de 1990 que procura dar continuidade e desenvolver a actividade até agora promovida pela Biblioteca Pública de Braga.

Espero que depois de inaugurada a nova biblioteca disponha de meios que lhe permitam que rapidamente se transforme na mais valiosa referência cultural, educativa, informativa e de ocupação cria-tiva dos ócios de que o concelho tanto precisa e merece.

Mas para que tal se concretize é necessário que haja vontade política e disponibilização de meios financeiros que permitam uma aposta constante na actualização e enriquecimento das colecções, na formação permanente do seu pessoal e no desenvolvimento das novas tecnologias, que se traduz na criação e valorização dos serviços que deve prestar.

Só assim esta nova biblioteca poderá ser, como proclama a Unesco, a mais importante porta de acesso local à informação e ao conhecimento, uma arma decisiva no combate à iliteracia e à exclusão social e um elemento essencial na formação e desenvolvimento dos valores da cidadania.




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