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Bilhete Postal

Caro Alfredo,

N/D
19 Dez 2004

o povo de Israel desejou ardentemente o Natal. Chegou mesmo a pedir às nuvens que chovessem o Salvador. A necessidade do Natal sente-a o homem, o homem de todos os tempos e lugares no mais fundo do seu ser.

O Natal é Jesus, é Deus connosco, é o que significa tudo novo no mundo – à nossa volta e dentro de nós. E o novo tem a ver com a bondade do nosso Deus, que, em Jesus Cristo, se derrama nas nossas vidas em sentimentos e propósitos de paz.

Terás ouvido muitas vezes, e certamente o sentirás também, que o homem é um peregrino da paz, um mendigo da paz, mas que, por mais incrível que pareça, só tem sabido fazer a guerra e viver com guerra. Que pena!

Quando os Anjos aparecem aos pastores na noite de Natal, diz o Evangelho que começaram por cantar: «Glória a Deus… Paz aos homens».

Raramente aprofundamos a riqueza desta mensagem, que, no fundo, quererá significar: a maior e mais perfeita glória que se pode dar a Deus resulta do esforço sério e persistente que fizermos para que o homem viva em paz, isto é, para que o homem seja cada vez mais homem. J

á Santo Ireneu, do longínquo século II, entendeu isto muito bem, quando escrevia e dizia que a glória de Deus estava no homem vivo, a crescer na sua dignidade e na consciência da sua grandeza e dos seus valores.

Não será também a mensagem que o Papa nos quer transmitir sempre que repete que «o homem é o caminho da Igreja»?

Não estranhes a imagem, mas o Natal deveria ser uma espécie de terramoto que vem transformar o mundo desde os seus alicerces.

O mal é que, a respeito do Natal, nos vamos ficando pela rama, como são as luzes, as ornamentações, as músicas maviosas das ruas, as prendas, os cromos e tanto gesto de solidariedade que, merecedor do nosso apreço, nem sempre poderá ter a mais correcta leitura de Natal. Pois é: no meio de tantas coisas, por onde andará Jesus?

se calhar por aí, incógnito, por onde ninguém vai… Nós vamos procurando arrumá-l’O o melhor que podemos, isto é, vamos fazendo de conta que celebramos Natal.

Então, Natal com Jesus. Só assim teremos Natal, o Natal que nos abre caminhos de justiça, de fraternidade e de paz.

É este Natal que desejo a ti e a todos os Alfredos do mundo.




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