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Europa ideológica

Por ocasião do encontro de ministros da cultura dos 46 países do Conselho da Europa, o secretário geral do CE, Terry Davis, reconheceu a “enorme ignorância” que domina na Europa Ocidental, no que diz respeito à cultura dos países da Europa Central e de Leste.

N/D
18 Dez 2004

Davis referiu o exemplo da Arménia e Geórgia, nações com tradições culturais riquíssimas, mas praticamente desconhecidas dos cidadãos da Europa Ocidental.
A esta constatação do secretário geral do Conselho da Europa poderíamos acrescentar ainda a ignorância histórica, que aliada a profundos preconceitos ideológicos herdados do jacobinismo e da esquerda, faz dos europeus ocidentais – tanto o cidadão comum como os dirigentes políticos – um triste exemplo de um tipo de ignorância refinada e incurável, aquela ignorância que, revestida de orgulho, permanece imper-meável à realidade.

Exemplos não faltam (só a Espanha de Zapatero fornece todos os dias mãos cheias deles, seja na política interna – ao estilo de uma governação ideológica que só lembra os “bons velhos tempos” dos primeiros anos da revolução bolchevique – como na política externa, com o culto do barbudo de Cuba). A recente cimeira UE-China trouxe mais um.

Os resultados da cimeira confirmam os piores receios quanto ao curso seguido pelos dirigentes europeus. Ao admitir a possibilidade de renunciar ao embargo à venda de armas à China, a UE deu, de facto, o primeiro passo rumo à concretização deste propósito, apesar de não ter acontecido nada em Pequim que justifique tal decisão.

A China não deu sinais de pretender alterar nada no capítulo das transgressões aos direitos humanos. Nada mudou, desde o massacre da praça Tienanmen, tibeteanos e uigures continuam a ser vítimas das mesmas perseguições, e em recentes declarações oficiais Pequim continua a ameaçar a Formosa com uma intervenção militar.

Factos insignificantes, se comparados aos lucros que empresas francesas e alemãs poderão contabilizar assim que o embargo seja levantado. Para aqueles que governam os destinos da Europa, esses lucros são razão que chegue para que se decidam a aumentar o risco de um conflito armado no mundo. A compra de novas armas por Pequim forçará a Formosa e o Japão a fazer o mesmo.

E os EUA não poderão deixar de reagir a um eventual ataque à Formosa, quanto mais não seja porque estará em jogo a sua posição mundial.

Tudo isto são consequências reais e nada longínquas, mas pelos vistos indiferentes do ponto de vista de Paris e Berlim. Nada a que não nos tivéssemos já habituado.

O que seria de esperar, isso sim, era que, para as organizações e movimentos que vieram para as ruas das cidades da Europa Ocidental protestar contra a intervenção militar no Iraque, permanecesse prioritário defender a paz. Mas nem as elites intelectuais nem os activistas, sentiram necessidade de protestar.

Afinal a histeria dos protestos anteriores era motivada unicamente pela obsessão do anti-americanismo. Não era a paz nem os direitos humanos, aquilo que os preocupava…




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