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Raízes da crise

Porque a crise é uma realidade, o bom senso exige que se lhe identifiquem as causas a fim de as poder eliminar e, deste modo, sair dela

N/D
16 Dez 2004

É um facto. A comunidade portuguesa atravessa uma profunda crise a que a levou, sobretudo, certa mentalidade pretensamente situada no esquerdismo vanguardista e progressista que, irresponsavelmente, destruiu um conjunto de princípios e de valores a que é imperioso e urgente regressar.

Lamentavelmente, essa mentalidade, atrevida e arrogante e perita em demagogia, nega-se a reconhecer o erro e persiste na criação de um ambiente favorável à sua manutenção.

Tudo radica, a meu ver, na crise da educação, que alguns teimam em identificar com instrução ministrada de qualquer maneira e com um descarado aproveitamento ideológico.

A crise da educação e a perda de um conjunto de princípios e de valores levaram a que muitas pessoas se tornassem peritas na reivindicação dos seus direitos esquecendo o cumprimento dos próprios deveres. Levaram, em muitos casos, ao desrespeito pela autoridade e à falência da mesma, porque desacreditada e privada dos instrumentos necessários para poder agir com humanidade e com firmeza.

Levaram ao facilitismo, que produziu as passagens administrativas e se instalou nos bancos de algumas escolas onde, em certos casos, a única condição necessária para passar de ano parece ser a de estar matriculado. Levaram à falta de rigor e de exigência. Levaram a um clima de egoísmo onde os outros não contam e o que interessa é que eu atinja os meus objectivos, seja a que preço for e passando por cima de quem passar. Levaram a um clima de atrevido desrespeito por tudo e por todos. Levaram à inexistência de mão de obra qualificada.

Levaram à baixa produtividade, já que muitas vezes se vai – quando se não pode faltar – para o posto de trabalho sem grande vontade de trabalhar. Levaram à existência de pessoas que vivem acima das suas possibilidades, o que tem como consequência o endividamento ou o procurar arranjar dinheiro de qualquer maneira.

Levaram a diversas formas de corrupção, de compadrio, de instrumentalização das pessoas. Levaram a um clima de insegurança. Levaram a uma Comunicação Social que dá a impressão de apostar mais no espectáculo e na conquista de audiências do que num verdadeiro serviço à comunidade.

Levaram ao uso de uma falsa liberdade, já que não pode ser verdadeira liberdade a que não reconhece os seus justos limites ou, reconhecendo-os, os não respeita.

Sobrevalorizaram o sexo, fomentaram a irresponsabilidade no que toca à vida sexual e adulteraram os objectivos de uma verdadeira educação da afectividade. Procuraram destruir a família tradicional com a proposta e a defesa de comportamentos que não são imitáveis e chegam a ser verdadeiras aberrações, como isso dos casamentos homossexuais.

A tal mentalidade pretensamente situada no esquerdismo vanguardista e progressista teima no esforço de construir uma sociedade sem Deus. Mas a sociedade sem Deus, como a experiência demonstra, facilmente redunda numa sociedade contra o homem.

Produziu a sociedade dos gulag, dos campos de concentração, da exploração da pessoa humana, das execuções em massa e das valas comuns.

Produziu a sociedade do medo, do desrespeito pela pessoa humana, do salve-se quem puder, da busca dos fins sem olhar à liceidade dos meios, do servir-se e do viver à custa de em vez do servir e do viver para. Produziu a sociedade que não respeita princípios éticos. Produziu a sociedade da vigarice, do ódio, da vingança, da violência.

Produziu a sociedade do aborto provocado e da eutanásia. Produziu a sociedade onde o homem só vale pelo que produz e enquanto produz.

Porque a crise é uma realidade, o bom senso exige que se lhe identifiquem as causas a fim de as poder eliminar e, deste modo, sair dela.

Existirá vontade suficiente para isso? Haverá quem não tenha receio de assumir o odioso de não parecer moderno e de fazer marcha atrás, recuperando princípios e valores imprescindíveis para que a situação mude para melhor?

Há que não ter medo de falar de Deus, que deve ser reconhecido, adorado e servido em todo e cada ser humano criado à sua imagem e semelhança. Há que não ter medo de falar da Pátria, que deve ser amada e engrandecida. Há que não ter medo de falar da Família, que deve ser cada vez mais defendida e prestigiada e cuja importância deve ser constantemente enaltecida.




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