Fotografia:
Cintilações de Natal

Incontáveis serão as avenidas, ruas, vielas e o mais que os nossos olhos possam enxergar que, adornadas com as formas mais díspares, nos apresentam um espectáculo de cor e luz fazendo-nos (re)lembrar que estamos na quadra natalícia cujo verdadeiro sentido espiritual é – desastradamente – olvidado por muitos e muitos durante os restantes onze meses do ano.

N/D
16 Dez 2004

É consabido que a figura central deste período festivo é Jesus Cristo. O Filho de Deus feito Homem terá nascido em Belém, antiga cidade do Sul da Judeia, nos últimos anos de Herodes, o Grande, provavelmente cerca do ano 6 ou 5 a.C..
Não existem documentos credíveis quanto ao dia exacto em que o Redentor nasceu e o 25 de Dezembro, enquanto data oficial do Seu nascimento, só passou a ser festejado a partir do ano 336.

Nestas festividades, tão cruciais sobretudo para o universo Cristão viver-se-ia (creio eu) muito e muito mais com, e em Cristo, se os homens (no sentido lato da palavra) fossem mais comedidos ao comemorarem o nascimento do Menino com sumptuosas mesas de comes e bebes ateigando o estômago até mais não!

Culminando com o intercâmbio de presentes da mais diversa materialidade quando em muitos casos, o mais importante, o espiritual, é catapultado para as profundezas do nada, a mor das vezes sem esperança de retorno.

Viver-se-ia muito mais com, e em Cristo – dizia eu – se nos debruçássemos com olhos de ver e mentes pensantes, sobre a caótica situação do Planeta em que vivemos (ou vegetamos?).

Sobre os mais de 23 milhões de militares espalhados pelo mundo com despesas descomunais que rondam os 700 milhões de euros anualmente. Sobre os meninos e meninas que se contam aos milhares, que trabalham sem qualquer tipo de remuneração ou, quanto muito, com uma mísera sub-remuneração.

Sobre os mil milhões de crianças vítimas da miséria e da guerra. Sobre os 121 milhões de menores que, segundo o relatório da UNICEF divulgado em 2004, não têm acesso ao ensino; sendo que, esta diminuta abordagem que acabo de fazer é, tão-somente, um pequenino grão de areia neste deserto calamitoso.

Por outro lado, enquanto que o nascimento do Redentor deveria ser celebrado com os mais sublimes actos espirituais, assistimos a um frenesim desmesuradamente mercantilizado para gáudio dos ve(ndi)lhões do temp(l)o do pós-Jesus Cristo com marketing’s cada vez mais sofisticados neste mundo perigosamente turbulento.

O Salvador, que nasceu há mais de dois milénios, que foi Homem entre os homens e é Espírito entre os espíritos, bateu-se (entre outras coisas) contra a injustiça e a devassidão que fustigavam impiedosamente o Seu povo.

Esse rasgo incomensurável, saldou-se pela Sua prisão. Condenado pelo poder dos homens cuja sentença foi confirmada pelo governador romano Pôncio Pilatos foi, num acto ignominioso, crucificado no Gólgota em 782 depois da fundação de Roma.

O grande Mestre, porém, legou à humanidade uma límpida mensagem que, desgraçadamente, grande franja da humanidade não quer (ou não sabe) interiorizar. Triturando-a ao longo dos séculos, nem sequer se apercebe (infelizmente) do quão negativo isso representa para a evolução espiritual do ser humano.

Feliz Natal e um próspero Ano Novo na paz de todos os lares e na quietude das ruas.




Notícias relacionadas


Scroll Up