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É urgente regenerar o PSD

Renunciar ao direito de divergir nunca foi, em democracia, atitude construtiva. E no PSD o unanimismo jamais fez carreira; pelo contrário, foi no confronto livre e desassombrado de ideias que se forjou a força do Partido e a imagem da capacidade criadora que lhe valeram repetidas manifestações de confiança dos eleitores portugueses.

N/D
15 Dez 2004

Talvez como em nenhum outro passo da sua história, o P.S.D. precisa hoje de se virar para dentro de si próprio e olhar os erros que num curto prazo político o podem afastar do governo do País. O partido não soube oferecer aos portugueses a contrapartida de con-fiança e estabilidade que estes esperariam que sucedesse à saída de Durão Barroso ( altamente criticável) para a Comissão Europeia.
Entendendo o poder conquistado nas urnas como um mandato incondicional e por isso insusceptível de ser escrutinável a todo o momento pelos cidadãos, a direcção política do PSD reduziu o País à dimensão do seu umbigo e optou pela mais imprudente de todas as soluções, que durou apenas escassos meses durante os quais a imagem do artido acumulou profundas feridas de gestão política e credibilidade.

O menos que se esperaria agora desse PSD ferido mas com sólidas reservas de bons serviços ao País e fidelidade ao seu ideário social-democrata é que o Partido lançasse não dessas reservas e se empenhasse em recompor a imagem da credibilidade que soube granjear ao longo da sua história, durante a qual nunca hipotecou os seus valores matriciais à ambição do poder a qualquer custo.

Mas o que se vê é a direcção do Partido a persistir numa cega estratégia, de repetir opções eleitorais esgotadas.

Mais: o P.S.D. nem se preserva do risco de se descaracterizar ideologicamente, deixando que um parceiro menor o condicione e submeta a uma deriva do direito que subverta completamente o espírito e a prática social-democrata do Partido fundado por Sá Carneiro.

Não foi bastante o pulsar do último congresso, inequívoco quanto à vontade das bases de ver o partido a concorrer sem muletas de utilidade duvidosa nem cedências quanto à clareza do seu programa.

Para a direcção do P.S.D. importa é o poder e tudo se hipoteca a essa ambição.

Envolvido nessa vertigem, o artido terminará por entregar de bandeja ao Partido Socialista não só as próximas eleições legislativas, como provavelmente outras que se lhe seguirão. Fosse essa mudança apenas o resultado de uma alternância democrática natural, e o País que está acima de tudo ficaria a salvo de danos gravosos.

Mas o P.S.D. sabe que esse governo socialista agravará perigosamente a situação política com que Portugal hoje se confronta, e até por imperativo patriótico deveria fazer tudo e fazer o melhor, para evitar esse alarmante horizonte.

Neste contexto que põe em causa o essencial de uma vida colectiva, que é o futuro imediato do País e delapida profundamente a capacidade do P.S.D. se manter como reserva de confiança dos portugueses, é impensável a um militante histórico do partido, como é o meu caso, e que durante mais de duas dezenas de anos o serviu em diferentes e responsáveis funções políticas, calar a sua voz submetendo-se a uma oligarquia que nos últimos tempos detendo o poder, pretende que por espúrio direito geracional lhe cabe o direito de decidir todas as coisas, fazendo do passado um arquivo morto de memórias.

É urgente regenerar o P.S.D., devolvê-lo à sua matriz original, aos seus valores e aos seus princípios.

Este é o meu apelo e estou convicto que ele é compartilhado pela grande maioria dos militantes, simpatizantes e votantes do Partido Social Democrata.

E não me venham os “situacionistas” apelidarem-me de divisionista. O passado fala por mim.




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