Fotografia:
809. Senhores Líderes Partidários Nacionais:

1 Agora que, uma vez mais, vamos a votos, vou propor-lhes um desafio. Talvez o maior desafio de sempre posto aos partidos políticos: ESCOLHAM OS CANDIDATOS NÃO PELA SUA MILITÂNCIA, MAS PELA SUA COMPETÊNCIA!

N/D
15 Dez 2004

Isto é, na ordenação das listas de candidatos, invertam a sua ordem, definitivamente, e varram o lixo que anda, há muitos anos, pelos vossos partidos! E acabem com o infeliz princípio de que o cartão de militante é o único passaporte para fazer política!
A antiguidade, contra a ordem castrense, aqui não deve ser um posto!

E, enquanto é tempo. Porque com a prática seguida, desde o 25 de Abril, há gente na Assembleia da República, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, etc. que já devia estar, há longo tempo, reformada! Gente com 30 anos de mandato!

Por isso, meus Senhores, o povo descrê cada vez mais da política e dos políticos. Se, afinal, são sempre os mesmos e com as mesmas práticas, o mesmo paleio, o mesmo maneirismo, a mesma rotinice!

Porque, a democracia exige renovação, alternância, sangue novo! INOVAÇÃO!

Senão, qualquer dia, na Assembleia da República, nas Câmaras Municipais, nas Juntas de Freguesia, etc. só temos brigadas do reumático, como aqueloutra de triste memória! E de que não se pode esperar mais que não seja servilismo, chapeladas e monolitismo!

2. Depois, meus Senhores, o mais grave de tudo ainda é a abstenção às urnas que caminha, perigosamente, para o meio por meio! E se chegamos, um dia, à patética situação de a abstenção ser superior à participação, que fazemos da democracia?

Tem-se falado muito, ultimamente, na incompetência da maio-ria dos políticos. E o facto evidencia-se na situação desastrosa a que chegou o país, mormente, na economia, na educação, na saúde, na justiça, na administração pública. E isto tem uma explicação na partidarização da vida nacional que nos leva sempre ao mesmo buraco: a escolha de governantes, gestores e administradores públicos.

E, enquanto essa escolha se fizer pelo número de vezes que o cidadão andou de altifalante no carro das campanhas eleitorais, pela antiguidade partidária, pelas solas gastas em comícios, sardinhadas e sessões de esclarecimento… não vamos lá e, cada vez mais enterramos a democracia!

Os partidos devem ser escolas de formação política e não ateneus de demagogia!

Abertos à participação de cidadãos independentes, cujo objectivo primeiro seja servir!

E ser formados por dois grupos de militantes: os intelectuais e os operacionais.

Aqueles, bons para o gabinete, o planeamento, a governação e estes, melhores ainda para o altifalante, o comício, o trabalho de campo!

Só, assim, se poderá travar a incompetência, o oportunismo, o carreirismo e o caciquismo que são uma enviesada prática e mau ensinamento que dos vossos partidos têm saído! Aqui, meus Senhores, reside a razão primeira do desafio que, inicialmente, vos lancei e com que termino: ESCOLHAM OS CANDIDATOS NÃO PELA SUA MILITÂNCIA, MAS PELA SUA COMPETÊNCIA!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




Notícias relacionadas


Scroll Up