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Educar – a arte por excelência (18) a antinomia autoridade/liberdade

A acção educativa debate-se entre as competências a atribuir à autoridade do educador e a outorgar à liberdade do educando. Não existe meio-termo nem escapatória a esta alternativa: quem educa encontra-se perante o dilema das concessões e das restrições que há que conceder, ora a uma, ora a outra.

N/D
14 Dez 2004

Esta antinomia disjuntiva é delicada e complexa, pois ao problema do equilíbrio e da proporção acrescentam-se outras situações desviantes que urge clarificar, evitando-se confusões conceptuais.
Referimo-nos à percepção exacta e correcta do que são a autoridade e a liberdade em si mesmas, bem como aos direitos e obrigações que, perante elas, devem ter o educador e o educando e ao papel que tais valores devem desempenhar na vida das pessoas e, por consequência, na sua educação.

São conceitos problemáticos que, frequentemente, têm sido mal entendidos, incorrectamente definidos, objecto de esquecimento, de abuso e de uso arbitrário, erróneo e injusto. Há quem não respeite os limites da autoridade nem os da liberdade pelas mais diversas razões: por ignorância ou desconhecimento, por não o desejar, por não lhe interessar ou não lhe convir.

Autoridade e liberdade são valores fundamentais de qualquer sociedade moderna, não se podendo, portanto, prescindir de qualquer um deles e cuja coexistência deve ser harmoniosa e equilibrada, de modo a que nenhum seja violado.

Colocada a questão nestes termos, uma atitude totalmente simplista na análise destes conceitos é própria de uma mente imatura. Por seu turno, a plenitude de juízo deve caracterizar-se não só pela aceitação de uma realidade que é multifacetada, mas também pela capacidade de a dissecar e matizar.

O binómio autoridade/liberdade induz-nos a precisar as suas significações e a destrinçar os tipos de concepções disgnósicas ou deturpadas.

Principiando pelo étimo liberdade, é sabido que, etimologicamente, ele tem origem no termo latino libertas que significava independência: o homem de condição livre (liber) era o “não escravo”, o que “não era servo de outro”.

No entanto, o vocábulo, hodiernamente, encerra uma carga de ambiguidade e de equivocidade, para o qual não existe uma definição única e unívoca, sendo indispensável clarear alguns dos seus sentidos.

Negativamente, liberdade consiste no poder de agir ou não independentemente de qualquer tipo de obstáculos ou determinismos, ou seja, é sinónimo de total ausência de constrangimentos.

No entanto, no sentido físico, liberdade é a capacidade que o homem possui de se movimentar sem impedimentos.

No aspecto jurídico, pode-se distinguir liberdade civil (direito de fazer tudo aquilo que as leis sociais permitem) de liberdade política (capacidade de um grupo humano se governar a si mesmo com inteira soberania).

Já sob o ponto de vista filosófico, liberdade é a capacidade humana de decidir racionalmente os actos a praticar e de os realizar sem coacções.

Entrementes, a evolução dos conhecimentos da natureza do homem (Antropologia, Psicologia, Sociologia, etc) veio pôr em realce que na acção humana os factores biológicos, psíquicos e sociais são forças impulsivas que orientam, em certa medida, o homem a agir em determinadas orientações, colocando condicionalismos à sua livre escolha.




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