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Consequências do stress (2)

A cultura do imobilismo, característica da nossa dependência do automóvel, tem custos elevados a nível da saúde. O imobilismo impede uma boa degradação do stress pelo organismo.

N/D
14 Dez 2004

F. Vester assinala cinco consequências fundamentais do processo do stress:
1. Em primeiro lugar, os ácidos gordos lançados na corrente sanguínea (na situação de stress) transformam-se a pouco e pouco em colesterol e fixam-se nas paredes dos vasos sanguíneos, acelerando a arterioesclerose;

2. Em segundo lugar, as anomalias no sistema neurovegetativo por causa das alterações no equilíbrio hormonal provocam perturbações circulatórias aumentam o risco de enfarte;

3. Em terceiro lugar, os sentimentos de insegurança e de nervosismo que decorrem deste mal estar desencadeiam, por sua vez, uma reacção hormonal, um acréscimo de produção de ácido clorídrico no estômago com dores no intestino, podendo originar úlceras no estômago e no intestino;

4. Em quarto lugar, o stress reduz a actividade sexual natural e equilibrada, o que por sua vez perturba o equilíbrio hormonal geral em favor de certos grupos hormonais e pode dar origem a sentimentos de frustração, a conflitos, de modo que os stressantes secundários, como a frustração, podem provocar a impotência e a frigidez;

5. Finalmente, torna-se cada vez mais evidente que os factores stressantes crónicos podem provocar tumores de natureza cancerosa, pelo simples facto de inibirem, de maneira significativa, as defesas imunitárias internas do organismo. Existe, escreve Vester, uma ligação estreita entre o timo, que preside ao sistema imunitário e o processo cancerígeno. A estimulação do timo dificulta o desenvolvimento do cancro; porém, o seu enfraquecimento favorece a formação do cancro.

É assim que situações de stress não degradadas podem dar origem a variadas doenças, tais como: doenças do coração e dos vasos sanguíneos, redução das defesas imunitárias que deixa o organismo mais exposto às infecções, úlceras do cólon, enfraquecimento da capacidade de concentração, agressões recalcadas, neurose, asma, predisposição acrescida para o cancro…

Qualquer que seja a natureza do sinal de alarme do stress, o organismo reage sempre da mesma maneira: a percepção do estímulo stressante activa, por determinadas vias cerebrais, o sistema neurovegetativo, principalmente o grande simpático, assim como a hipófise; os impulsos do simpático desenca-deiam, na zona medular das supra-renais, o lançar na corrente sanguínea de adrenalina e noradrenalina; por sua vez, a hipófise produz a hormona ACTH que chega também ás glândulas supra-renais e desencadeia na zona cortico-supra-renal hormonas corticóides, como por exemplo a hidrocortizona.

Em pouco tempo, todas estas hormonas estão a percorrer o organismo, provocando diversos efeitos, tais como: aumento do ritmo cardíaco, subida da pressão sanguínea, melhor irrigação dos músculos, mobilização de reservas de glucose e de lípidos, diminuição dos tempos de coagulação do sangue.

Ao mesmo tempo, são inibidas todas as funções não úteis para a luta contra o perigo: os órgãos internos, tal como a pele, são menos irrigados (o suor frio das situações de pânico e de stress); a digestão pára; a síntese das proteínas é interrompida; a função sexual é reduzida e as conexões cerebrais são bloqueadas para evitar reflexões inúteis na presente circunstância.

Como levamos uma vida sedentária, a degradação alternativa da reacção de stress é mais difícil e o mecanismo do stress, que é em si um mecanismo saudável de defesa, vai-se tornando num mecanismo patológico de autodestruição do nosso organismo.




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