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“Leopoldina”, esse fascínio cinzento

Um destes dias ouvi a um pai – jovem, jornalista e que reputo de boa formação cristã – a inquietação sobre o significado da campanha da “Leopoldina e o brinquedo mágico”, patrocinada por uma cadeia de hipermercados e com o apoio de uma rádio de âmbito nacional.

N/D
13 Dez 2004

O disco compacto (Cd) custa dois euros, sendo metade (um euro) para uma campanha altruísta divulgada pela emissora católica portuguesa.
A temática de “Leopoldina e o brinquedo mágico” anda à volta de dois países, duas ilhas algures no oceano. De um lado, um povo alegre, feliz, sempre em festa, governado por um rei simpático e divertido: o país dos sons.

Do outro lado, um país triste, assombrado por um feitiço que fez do rei um rei sisudo, proibindo todos os sons no seu reino – o país do silêncio. Ao longo de doze canções-estórias as crianças são transportadas pelas peripécias do “rei zangão” e dos risos do “rei folião”, pelas tropelias da “boneca de trapos”, pelas aventuras da “andorinha” e, claro, pela heroína “Leopoldina” como a salvadora rumo à grande festa com brinquedos, piratas, submarino e um mundo mágico de sons!…

Quem ler/ouvir o folhetim deste Cd como que se poderá interrogar sobre o alcance que esta historieta tem (ou terá) nas crianças e no público em geral, pois nota-se um certo ambiente cinzento, onde não há a mais pequena referência ao transcendente – particularmente cristão – mas antes um clima fraternista nebuloso, onde a temática do mar – qual nova era de aquário! – borbulha em cada música encantada, vibrando em orquestra dissonante com o mundo de agruras – dirão as vozes mais pessimistas! – em que estamos mergulhados.

Dizia o referido comunicador televisivo sobre a campanha da “Leopoldina e o brinquedo mágico”: não há qualquer alusão ao presépio nem sequer o “pai natal”… Aquilo é muito atractivo – se foi bem pensado, melhor foi conseguido – junto das crianças!

Nesta sociedade do “soft” q.b., do agnóstico simpático e não-agressivo, da harmonização de contrários…, a campanha da “Leopoldina e o brinquedo mágico” pode e deve levar-nos a reflectir. Dizemo-lo por conhecimento de causa: não basta combater – seja o “pai natal” seja qualquer outra fórmula popular de sucesso -; é preciso apresentar com novidade os valores cristãos ali-cerçados na mensagem do presépio.

De facto, por três anos consecutivos – em Sesimbra – vimos que o “pai natal” cocaístico desapareceu por imposição do presépio, tanto na modalidade de concurso, como na de incentivo à sua construção nas famílias e pela acção das crianças. Este ano quisemos interpretar outros desafios e lançamos o tema “presépio na rua, natal na vida”, construindo catorze stands alusivos a outros tantos passos bíblicos da época natalícia.

É urgente que as iniciativas da Igreja Católica, nesta época do Natal, tenham a marca clara do anúncio de Cristo ou, então, estaremos a desvirtuar o que há de mais genuíno no Natal: a celebração do nascimento de Jesus. Que todos tenhamos capacidade, luz e discernimento de levar o Natal cristão onde quer que estejamos… sem nos enlearmos por certas músicas paradisíacas!




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