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As perturbações políticas e o povo normal

O povo aguenta, mas a paciência tem limites

N/D
13 Dez 2004

O povo que vota, trabalha e paga os impostos anda, normalmente, muito arredado das discussões políticas e daquilo que as provoca. Porém, não está alheio às perturbações e consequências que delas derivam.

As campanhas eleitorais acordam-no do desinteresse habitual e atiram-no para o mundo fácil das miragens, sustentadas pelas promessas, tão fáceis de fazer, como de não cumprir. É próprio dos políticos prometer. Depois, lá vem a realidade a mostrar que não podia ser bem assim.

Sempre o mesmo, que não chega a tocar, nem a incomodar a consciência. Aliás, não fora o clima de euforia, quando esta ainda se verifica, e a propaganda barulhenta dos novos e dos velhos candidatos, e já ninguém acreditaria nas promessas eleitorais. Na maior parte das vezes, nem sequer acreditam aqueles que as fazem. Mas, sem promessas não pode haver campanha e o povo inebriado gosta que se prometa, sempre e muito, mesmo com os resultados à vista.

O tempo de espera e a procura de soluções novas ou renovadas para a governação, deve ser um tempo de seriedade e de serenidade para que possa ser de opções com mais consistência que a emoção, e que se baseiem em razões válidas, ainda que o sejam só subjectivamente.

Compreendo uma certa desilusão de muita gente em relação aos políticos. Tanta conversa não é de quem tem muito que fazer, e tantos ataques mútuos não parecem ser coisa de pessoas educadas e respeitáveis…

Estamos outra vez à porta de uma campanha eleitoral. Outras vêm logo em catadupa e já não nos livramos disso ao longo de todo o ano. Por vezes já nem sabemos o que é ou seria melhor, tantas perturbações tudo isto provoca na vida de muita gente.

Raramente o que se pode esperar a seguir é melhor do que o que terminou ou fizeram terminar.

É pobre, demasiadamente pobre, a nossa cultura política. É verdade que não há nada na vida que seja totalmente puro. Também não se pode esperar que neste campo seja de outra maneira.

Mas, por vezes, a acção política tem impurezas a mais, traduzidas em favores que se pagam, em facturas que se apresentam a saldar, em gente que se vê subir com a ajuda de mãos invisíveis, em cadeiras não adaptadas aos que nelas se querem sentar, em pôr na luz da ribalta jovens que ainda não tiveram tempo para aprender na escola da vida e que, mal abrem a boca, julgam dizer a última palavra sobre o assunto, em zangas de compadres e em rivalidades incontidas entre sócios do mesmo clube. Nada disto dignifica a acção política.

Quem não aprende ou não quer aprender com os desaires, seja de ontem ou de hoje, não se devia perfilar para novas aventuras. Na política não têm lugar os que só pensam em si e no seu partido, são incapazes de emenda, falam tanto que não têm tempo para reflectir, julgam ter solução para todos os problemas quando não estão no poder, os que não entenderam ainda o que significa e lhes exige o bem público e o serviço aos outros.

Há muita gente séria na política em todos os partidos e o país está-lhe decerto muito grato. Não sei bem até quando, se não se vê um esforço de mudança no contexto geral. O povo aguenta, mas a paciência tem limites.




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