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Do stress

Devido às condições em que viviam, os nossos ancestrais tinham a possibilidade de reduzir o stress através da fuga ou ataque, uma actividade física que consumia a energia acumulada e não resolvida. Ainda hoje os animais reagem sempre desta maneira.

N/D
12 Dez 2004

Mas, o homem moderno e citadino, com uma vida muito sedentária e andando mais de automóvel do que a pé, nem sempre tem condições de fazer isso, de recorrer à actividade física alternativa nas situações geradoras de stress. Com o uso crescente do automóvel, pode-se dizer que há hoje um défice de movimento físico e o risco de progressiva atrofia dos músculos.
Sabemos que os efeitos cumulativos das reacções físicas recalcadas, que alguém designou, com propriedade, “frustração biológica”, agridem não só o sistema vascular mas também o trato digestivo e o sistema imunitário, enfraquecem os pulmões, enfraquecem os músculos e as articulações através do depósito de matérias e aceleram o processo de envelhecimento.

Não é por acaso que, nestas circunstâncias, ficamos mais vulneráveis às gripes, às dores de cabeça, às doenças cardíacas e até ao cancro. Mesmo as doenças virais atingem-nos com mais facilidade se o nosso sistema imunitário está enfraquecido ou se tornou vulnerável por causa do stress ou do nosso modo de vida.

Se comparamos o nosso modo de vida com o dos animais em liberdade ou com o dos indígenas na selva, que praticam longas fases de repouso, podemos dizer que a sociedade industrial transformou um mecanismo saudável (preparar o organismo para agir) num processo doentio (o processo de stress). Sempre que factores externos ou internos, de natureza física ou psíquica, desencadeiam o mecanismo do stress, o nosso organismo está preparado para agir.

E que fazemos nós? Não fazemos nada. Ficamos parados. Guardamos, acumulamos. O que impede a degradação natural do stress. Para as pessoas de tendência introvertida pior ainda. Como não utilizamos o combustível que o organismo preparou para o fim organicamente previsto, isto é, para a reacção física de ataque/defesa ou fuga, ele deverá ser utilizado noutra actividade física alternativa.

Doutro modo, os ácidos gordos vão-se transformando em colesterol, que se vai aglutinando nas paredes das artérias, o que favorece mais tarde a arteriosclerose; o desequilíbrio da balança hormonal perturba o sistema neurovegetativo; tudo isto traz novas sobrecargas para o sistema circulatório, aumentando o risco de enfarte. A insegurança, o nervosismo, as agressões recalcadas desencadeiam um aumento da produção de ácido clorídrico no estômago e dores no intestino. É o ciclo do stress.




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