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Aproxima-se o Natal

Às vezes – e apesar de se tratar da festa da família – torna-se penoso escrever sobre o Natal. Muita luz, calor, alvoroço, riso, amizade, gestos, prendas, felicitações… Muito de tudo e um suspiro profundo e sentido, por quem nada tem. Gente só, por vezes acompanhada mas só, recordações e quase sempre o lugar vazio […]

N/D
11 Dez 2004

Às vezes – e apesar de se tratar da festa da família – torna-se penoso escrever sobre o Natal. Muita luz, calor, alvoroço, riso, amizade, gestos, prendas, felicitações… Muito de tudo e um suspiro profundo e sentido, por quem nada tem. Gente só, por vezes acompanhada mas só, recordações e quase sempre o lugar vazio dos que partiram.
A mesa outrora cheia, parece-nos maior, hoje há mais espaço e os olhos dos presentes tardam em iluminar-se. É assim o Natal num tempo frio, em que se pede alegria. Mas na rua iluminada, olhando as montras repletas de brinquedos, há sempre alguém que permanecerá de olhar triste, desejando família, o calor da lareira, o brinquedo ou o afecto perdido.

Que pena que, apesar de ser Natal, não possamos ter um Natal diferente, sem desempregados, sem fome, miséria, droga, álcool, doenças, crian-ças e idosos abandonados; sem a inquietude causada pela instabilidade social.

É, afinal, um nascer da vida festejada por homens justos, capazes de actos de solidariedade social, preocupados em dar sentido à vida. Neste tempo de festa devemos reflectir sobre a nossa atitude perante a vida, o nosso comportamento social; um exame consciente que avalie a nossa acção e a solidariedade perante a necessidade dos outros.

É grande a azáfama e preocupação nas Instituições que planeiam um Natal para os mais necessitados ou abandonados; mais um Natal em que se pretende proporcionar momentos diferentes de convívio em ambiente fraterno e familiar. Custa imaginar o Natal de famílias sem posses, vítimas do desemprego, crianças sem brinquedos, homens e mulheres sem pão. São pessoas excluídas socialmente, que não podem ter um Natal feliz.

Que sociedade é esta que permite diferenças tão acentuadas, onde a ostentação e o luxo de uns surge perante a miséria de muitos? Um Estado social jamais pode sossegar, se não atender às necessidades dos cidadãos desfavorecidos, carenciados, incapazes de reagir à adversidade. São necessárias soluções para que um dia o Natal seja a festa da família, para todos os cidadãos.

Que os que mais possuem se lembrem daqueles que nada têm e contribuam para tornar o Natal num dia diferente para os mais necessitados.

Vamos esperar que o frio do tempo permita o calor na família e que a solidariedade tenha um papel activo capaz de atenuar a fome, a miséria e solidão dos que mais sofrem. O poder político ao cumprir com CRP, também permitirá um Natal Feliz aos Portugueses.




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