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«Portugal, um mercado amigo»

Desde que há uns três anos participei nos debates da Ágora, em Badajoz, a Junta de Extremadura remete-me regularmente as publicações (relatórios e revistas, sobretudo) que vai editando. E foi assim que estes dias me chegou às mãos o número de Novembro/Dezembro da revista “Caudal de Extremadura”.

N/D
10 Dez 2004

Dediquei-lhe especial atenção, porque tem em destaque um guia para investir e exportar para Portugal, apresentando o nosso país como «um mercado amigo». Aliás, num breve editorial afirma-se, sem complexos: «Portugal precisa de nós e a Extremadura precisa de Portugal».
Explica-se depois que Portugal é o primeiro sócio comercial da região, pormenorizando-se: «cerca de 500 empresas e cooperativas da região vendem ali os seus produtos. E não só no Alentejo e nas Beiras, mas em todo o Portugal».

Mas diz-se mais; diz-se que «muitas grandes empresas espanholas e estrangeiras procuram a Extremadura no mapa dos investimentos pela sua proximidade com Portugal», ao mesmo tempo que algumas empresas lusas usam, pouco a pouco, a mesma porta para aceder ao país vizinho. Enfim, conclui o articulista, «há sintomas excelentes de descoberta mútua».

Como exemplos de sucesso nas relações com Portugal, a revista informa: trinta por cento do arroz vaporizado de Portugal tem origem na “Extremeña de Arrroces”; a “Convex Print”, do grupo “Lusográfica” do argentino Salomón Lerner, imprime, em Olivença, para Portugal inteiro; a fábrica “Cerâmica Arco de Cáparra”, em construção em Guareña mediante um investimento de 13 milhões de euros, tem o mercado português como uma das suas prioridades.

O mencionado Guia para investir em Portugal, explica a situação em dez “chaves”, com um destaque: «Portugal procura atrair empresas espanholas com o segundo Imposto de Sociedades sobre os benefícios empresariais mais baixos da UE: 27,5%, face aos 35% de Espanha.

As “chaves” enumeram as vias de comunicação, os portos e aeroportos, a caracterização da população portuguesa e a sua distribuição no território, as regras para a segurança social, a fiscalidade, a situação da economia portuguesa (défice público chega aos 62% do PIB), os modelos de empresas, as ajudas ao investimento, a indústria do turismo…

Se o destaque de “Caudal de Extremadura” ajuda os estremenhos a movimentar-se em Portugal, há pequenas notícias que revelam outros interessantes pormenores.

Exemplos: o grupo português “BA Vidros” (antiga Barbosa e Almeida) é a maior indústria portuguesa na Estremadura espanhola; há cerca de 300 médicos e técnicos de saúde da Extremadura a trabalhar em hospitais públicos e privados portugueses, ao mesmo tempo que as clínicas da zona convencionaram tratamentos para mais de mil dos nossos doentes; há nove mil estudantes locais a aprender português; a Junta de Extremadura vai construir, a partir de 2007, uma via rápida entre Plasencia e as termas de Monfortinho; os portugueses representam, nalguns dias da semana, 20 por cento das compras que se realizam na cidade de Badajoz, aproveitando o facto de a generalidade do que procuram ser dez por cento mais barato…

Nós por cá, também já vamos tendo alguns exemplos de olhos abertos para o mercado externo e associações que elucidam e entusiasmam os seus membros. Mas são ainda vários os sectores onde trabalhamos com fotocópias… Eu, por muito patriota que seja, não consigo fechar os olhos às iniciativas de qualidade que atravessam as nossas fronteiras.




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