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Ao que chegamos!

Pobre país!… Um dia Camões, referindo às gestas patrióticas dos navegantes de então, escreveu: – «Ditosa Pátria que tais filhos teve»!…

N/D
10 Dez 2004

Hoje, se ressurgisse do túmulo e quisesse cantar em novos decassílabos as façanhas dos nautas políticos hodiernos, diria tudo menos isso.
De facto, o país está doente.

No momento, é um náufrago que deitou, por breves instantes, a cabeça fora de água, mas que foi obrigado a mergulhar novamente, não se sabe por quanto mais tempo.

A nação vive com políticos a prazo e senadores a tempo inteiro; com governos de três meses e ministros de três dias.

Os períodos eleitorais minguam e as eleições multiplicam o número e diminuem a participação.

As profecias dos cronistas oficiais do reino, remidos no tempo e avençados no salário, anunciam golpes militares, monstros económicos e espartilhos de imprensa.

Um feroz pessimismo instalou-se com armas e bagagens no seio lusitano.

A nação, para Cavaco Silva, é uma medíocre «loja dos trezentos»; para Sampaio, é um país de «pronto a vestir»; para Mário Soares, é uma «quinta das celebridades»; para Marcelo, é livro de Crónicas, para Freitas do Amaral é «areópago de senadores»; para Santana Lopes é o Largo dos «Passos Perdidos» e, para José Sócrates, é « a loja dos perdidos e achados».

Descendo à plebe do verbo fácil, o país não passa de uma «feira da ladra»; de um baldio colectivo de batota; de uma variedade de sacos azuis; de fugas sucessivas ao fisco e da eterna romaria da velinha ao Senhor do Esquecidos.

A caravela lusitana encalhou nas rochas, com a praia à vista.

– Henrique Chaves, foi ministro três dias.

Pois, muitos portugueses gostavam de ser Governo um quarto de hora.

Seria o tempo suficiente para redigir um decreto a demitir a incompetência, a falta de sentido de estado, a ausência de profissionalismo, em todos os quadrantes.

– Cavaco Silva, em artigo de jornal, pediu aos políticos competentes para afastar os medíocres.

Ora, a política está no Governo e na oposição; no Parlamento, nas Câmaras e em outros órgãos de soberania.

Pois, todos os políticos se auto-colocaram a arrotar competência, alijando para a segunda situação, apenas e tão só, a governação.

Um país de convencidos!…

– Jorge Sampaio demitiu o Governo e pediu-lhe um orçamento.

Assim, o Governo demitido vai continuar com a sua política, através do novo Governo que, por sua vez, vai executar política alheia.

A única conclusão a tirar é que foi uma demissão de homens e não de política.

– Afirma-se por aí que Santana Lopes não tinha legitimidade democrática para ser primeiro-ministro.

Ora, tanto quando julgo saber, o regime político português prevê a eleição de partidos e não de Primeiros Ministros.

Termino, como comecei: – Pobre país!…




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