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Golpe constitucional

Os Portugueses foram confrontados, nos últimos dias, com uma brusca alteração ao normal funcionamento das instituições democráticas.

N/D
8 Dez 2004

Tendo para mim como valores mais importantes a democracia e a liberdade, fiquei profundamente chocado com este “acerto de contas” do Presidente da República com o Partido Socialista em forma de “golpe” constitucional.
De facto, o actual Presidente da República – quiçá na ânsia de aliviar a sua própria consciência – e revelando uma grande incompetência, promoveu um acto absolutamente inédito (porque a maioria não renunciou à governação nem se desentendeu) e falhado (porque ainda não foi capaz de o fundamentar), vindo a afirmar-se como o pior Presidente de toda a República.

Há quatro meses foi “crucificado” pela esquerda levando a demissões partidárias, e na semana passada “mandou dizer” que ia dissolver a Assembleia da República, não informou o seu presidente e segunda figura do Estado, mas não se esqueceu de avisar “em primeira-mão” o líder do (seu) partido da oposição.

Mais, não teve coragem de demitir imediatamente o primeiro-ministro, vindo depois dizer que não aceita ser condicionado quando, há quatro meses, ao empossar livremente (?) o actual Governo, fez questão de “deixar bem claro” as condicionantes que colocava à governação, obrigando o PSD a exercer o poder de uma forma caucionada – aliás, uma situação absolutamente estranha e pouco comum num partido que não costuma ter medo de dizer tudo o que pensa!

É certo que o PSD se “pôs a jeito” de algumas críticas, cometeu erros, e até ilustres militantes seus substituíram “com brio” a moribunda oposição, de uma forma tal que se fossem militantes de alguns partidos de esquerda já tinham sido expulsos ou impedidos de concorrer em próximos actos eleitorais.

É com estes erros políticos graves bem como esta actuação carregada de cinismo por parte do Presidente da República que agora até aqueles que criticavam o Orçamento de Estado para 2005 adiam a dissolução da Assembleia da República de forma a ser possível aprovar o Orçamento! Afinal seria assim tão mau, ou depois de cumprida a estratégia “do golpe” ainda vamos no futuro dizer todos que foi um dos melhores orçamentos dentro desta conjuntura?

Mesmo neste cenário, espero sinceramente que três meses sejam o suficiente para os Portugueses se desintoxicarem do último meio ano de avalanche dita informativa e possam perceber com clareza que o facilitismo não é sinónimo de ajuda ou bondade, assim como o rigor não é sinónimo de desprezo por quem trabalha, evitando que Carnaval se confunda com acto eleitoral.




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