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Diversidade: problema ou desafio?

Enquanto encararmos a diversidade como um problema, jamais poderemos dar, nem fazer, o que a diversidade necessita para poder ser ultrapassada, ou pelo menos respeitada

N/D
7 Dez 2004

Na minha opinião, o facto de termos um grupo de crianças com uma diversidade acentuada é um desafio que implicará muitos problemas no decorrer do tempo.
Todavia, estes problemas, que sabemos à partida que teremos, não podem ser vistos como um impedimento para concretizar o nosso projecto de trabalho.

Ao sabermos que iremos trabalhar com um grupo de crianças com características diferentes, sabemos desde logo que teremos de nos empenhar mais e trabalhar com maior eficácia. Por vezes, quando o grupo é homogéneo a todos os níveis, sentimo-nos mais relaxados e não nos esforçamos tanto, ou pelo menos, como deveríamos. Desta forma, considero que a diversidade funciona, para nós, profissionais, como um estímulo ao nosso trabalho e nunca como um problema.

Como educadora, sinto que enquanto encararmos a diversidade como um problema, jamais poderemos dar, nem fazer, o que a diversidade necessita para poder ser ultrapassada, ou pelo menos respeitada. Considero que a diversidade implica um maior empenho e uma maior dedicação pessoal à criança vista como diferente.

Quando se fala em diversidade não podemos somente referir-nos a crianças com algum tipo de deficiência, mas também, e sobretudo, a crianças com características culturais, sociais, linguísticas e outras diferentes, bem como, de crianças em situação de risco.

Actualmente as sociedades são caracterizadas por pessoas culturalmente muito diferentes, e são as próprias crianças dessa mesma sociedade que reflectem essa diversidade nos nossos grupos de crianças.

Como tal, é necessário que nós, enquanto docentes e não só, estejamos preparados, quer a nível académico, como também a nível pessoal, para dar-nos resposta a todo esse multiculturalismo, que se tem vindo a manifestar cada vez mais nas nossas escolas. Como nos diz Formosinho, 1997, “os vários movimentos ligados à escola nova sempre insistiram em centrar a educação nos interesses e necessidades das crianças, o que implica uma «pedagogia flexível», que tenha em conta os diferentes tipos de alunos”.

Esta “escola nova” e esta “pedagogia flexível” a que Formosinho se refere, só poderá vir a ser concretizada se nós, docentes, encararmos de forma definitiva a diversidade como um grande desafio e estímulo ao nosso trabalho e nunca como um problema que nos impeça de realizar os objectivos que pretendemos atingir com cada criança em particular.

Formosinho, J. (1997). “Formação de professores para a diversidade cultural da escola de massas. Modelos e processos de formação de professores, educadores. Relatório de agregação”. Braga: Universidade do Minho.




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