Fotografia:
Brincando com o sida

Não posso generalizar com absoluta segurança porque não assisti à totalidade dos programas dedicados ao problema do Sida que as estações televisivas transmitiram.

N/D
7 Dez 2004

Contudo, sempre que liguei o televisor, deparei com uma forma de tratar esta gravíssima questão que me pareceu muito inadequada, a raiar mesmo a leviandade.
E a leviandade reside no facto de as mensagens transmitidas incutirem nas pessoas a ideia de que podem ter os comportamentos que quiserem desde que usem preservativo. Mais ainda: fica-se com a impressão de que, mesmo que se apanhe o vírus, não há problema nenhum.

Primeiro porque já existem medicamentos que permitem ao doente levar uma vida normal (até víamos as pessoas a tomá-los); em segundo lugar, porque já praticamente não há descriminação social relativamente aos infectados.

Portanto, a consequência é óbvia: as pessoas façam o que quiserem, tenham relações sexuais com quem quiserem, quando quiserem, da forma que quiserem. Desde que usem preservativo!

Salvo melhor opinião, acho que esta maneira de abordar o problema é muitíssimo grave. Pode levar as pessoas a baixarem a guarda. Não estou a dizer que estes aspectos não devam ser também tratados. De modo nenhum. Quero apenas chamar a atenção para uma outra estratégia, talvez a mais importante de todas, que é a de convencer as pessoas a alterarem os seus comportamentos no sentido de evitarem uma vida de promiscuidade sexual, tendo apenas um parceiro ou mesmo nenhum, se for caso disso.

O curioso é que é essa, precisamente, a primeira recomendação da Organização Mundial de Saúde, a qual fica sistematicamente esquecida nestas campanhas. Até parece de propósito! E, no entanto, se as pessoas não se educarem, ou reeducarem, sexualmente no sentido da fidelidade amorosa, da integração da vida sexual na globalidade da pessoa, não há preservativo que nos valha! Iremos aos milhões para a cova, repetindo obstinadamente que no preservativo é que está a salvação!

De modo semelhante, acho uma estratégia errada andarem constantemente a dizer-nos que não se apanha o Sida apertando a mão a um doente, abraçando um doente, beijando um doente, sentando-nos numa sanita onde se sentou um doente, etc., etc.! Isto pode ser muito útil para não segregarmos quem teve a infelicidade de ser contaminado. Mas o que importa, de facto, é ensinar às pessoas quais são os comportamentos que as podem infectar, e não tanto aqueles que as não infectam.

Parece-me que, seguindo por este caminho, não vamos a lado nenhum. Não sei se isso é prova, mas que o flagelo continua a espalhar-se aterradoramente, lá isso continua.




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