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Nótulas soltas da minha agenda

Preocupa-me o esquecimento ou ignorância provocada em muitos meios de comunicação social face a correntes de opinião legítimas mas que não “navegam” no amoral ou no “politicamente correcto”

N/D
6 Dez 2004

1 Já muitas vezes me referi ao meu enorme gosto em ler memórias, diários, biografias e outros livros deste género literário. É a minha literatura de cabeceira, quando já me encontro suficientemente cansado para outros géneros mais absorventes. Com estes “companheiros” tenho aprendido imenso. Acabei de ler “D.Amélia de Orléans e Bragança – Princesa de França – Rainha de Portugal”, de Eurico Lages Cardoso, Ed. Do autor, de Setembro de 2004.
Nada de novo sobre a vida desta grande Senhora que republicanos e “monárquicos” enxovalhavam e caluniaram. A quem mataram no mesmo dia (1 de Fevereiro de 1908) o Marido e o Filho mais velho. Contudo a leitura deste pequeno livro despertou-me, mais uma vez, para a crise política em que vivia Portugal desde as últimas décadas do século XIX e no início do século XX.

Os ódios intrapartidários (Progressistas e Regeneradores e mais tarde dentro dos republicanos) deram no que deram e é conhecido de todos: crise social, económica e política. A confusão. O crime. O descalabro.

Assusta-me, estabelecendo o paralelo – que é muito semelhante ao actual! – com as “guerras” a que todos os dias nos entram pela casa dentro. Dentro dos partidos, com significado político, hoje, verifica-se o mesmo ódio entre militantes. Todos andam a dar tiros nos próprios pés e… nos pés dos outros. Instalou-se, como no final do século XIX e princípios do XX, a desconfiança e o descrédito face aos políticos.

Somos um povo que, talvez por que não conhece a sua história, não parece capaz de aprender. Lidamos mal com a memória, mas pior com o presente. Teremos futuro? Em liberdade?

2. Outro livro de cabeceira que já li foi “Carlos I, o Imperador da Paz” da DIEL, acabado de editar. Li-o com curiosidade. Gosto de saber quem são os Carlos que me podem servir de modelo. Fiquei, contudo um pouco insatisfeito. É um pouco pobre e redutor. Por exemplo, pouco se diz de Carlos de Habsburgo como marido. Nada, ou muito pouco, como Pai. Alguma coisa como Chefe de Estado. Porém, se este Habsburgo chegou aos altares, parece-me que não foi só pelo seu sofrimento físico e pela dor do exílio.

3. A falta de liberdade é clamorosa em muitos países. De todos os continentes. De Cuba à China, passando pela Arábia Saudita ou Sudão.

Mas a liberdade também está ameaçada em países livres. Preocupa-me a concentração de media na mão de alguns potentados económicos. Preocupa-me o esquecimento ou ignorância provocada em muitos meios de comunicação social face a correntes de opinião legítimas mas que não “navegam” no amoral ou no “politicamente correcto”.

A sociedade da informação, que é a nossa, está a criar os seus excluídos. Há temas que só podem ser tratados por alguns e de determinada maneira. Exemplos? Deixo dois. Os defensores da vida humana, da concepção à morte natural vêm a sua voz calada.

Outro: a Família baseada na relação heterossexual, na estabilidade, é objecto de silêncio ou submetida ao ridículo de ser “rotulada” de conservadora e passadista.

A liberdade, de facto, está ameaçada em muitos locais e de muitos modos. Sob o manto diáfano da modernidade se abafam e sufocam valores que são de ontem, de hoje e de sempre! Não é preciso mandar para a cadeia jornalistas e os “fazedores de opinião” para se considerar ameaçada a liberdade!

4. “10 milhões de estrelas – 2004”. É um gesto positivo e construtivo de sensibilização para o dom maior da Paz. Uma iniciativa da Caritas Portuguesa. Comprar uma vela, na Caritas, é mostrar a todos que estamos decididos a ser construtores da Paz! É colaborar com um gesto pleno de significado.

Vamos, pois, dar as mãos acendendo uma vela pela PAZ!




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