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Cheira a pretexto

Nota-se claramente que o sr. Presidente da República andou mal, desde o princípio até ao fim, em toda esta questão

N/D
6 Dez 2004

A dissolução da Assembleia da República, no dia 30 de Novembro, próximo passado, pelo Presidente da República, cheira, por todos os lados, a pretexto. Na verdade, quando o deveria ter feito, depois da saída de Durão Barroso não o fez e fê-lo agora, aproveitando a saída de Henrique Chaves de ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação. Embora o sr. Presidente da República declare que não demitiu o governo por qualquer razão específica mas apenas pela apreciação global que fez desse mesmo governo, não convence, a não ser aqueles que se querem convencer.

Escrevemos na ocasião da saída de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia que o sr. Presidente da República deveria ter feito o que fez hoje, mas hoje fez aquilo que não devia fazer. As razões para o fazer são entendidas como pretexto de emendar o erro de há quatro meses. Ora não se emenda um erro com outro erro, isso costumam fazer alguns árbitros de futebol quando marcam faltas compensatórias.

E ainda na terminologia futebolística, nesta dissolução há até quem suspeite de que o cartão vermelho mostrado a Santana Lopes, foi a pedido da esquerda portuguesa, principalmente pelo desejo que Jorge Sampaio tem de fazer as pazes com os da sua cor política. Ninguém saberá isto ao certo a não ser o dr. Sampaio quando confessar a si mesmo aquilo que nem ao Presidente da República confessa.

O sr. Presidente da República não soube ou não quis perceber a saída de Henrique Chaves do governo e, em vez de a classificar como uma intriga de gineceu, deu-lhe uma relevância política que de todo não tinha, ou melhor, não deveria ter. Henrique Chaves fez aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa não conseguiu: derrubar o governo. E é pena que, por um erro de apreciação, se beneficiem os infractores.

Também não se compreende muito bem como foi possível o sr. Presidente da República empossar uma remodelação ministerial há 6 dias atrás, (no dia 24 deste mês de Novembro), e, portanto, achá-la capaz de governar o País e passada uma semana, uma simples semana de trabalho, demitir esse mesmo governo que tinha achado bom para Portugal! Como foi possível dar dois dias para apresentação do novo ministro e depois, dum dia para o outro, nem o nome do ministro substituto querer saber?! Que prestidigitação é esta? Como foi possível o sr. Presidente da República, que por matriz ideológica absorvida no MES é contra o capitalismo, deixar Santana Lopes formar governo com o aval dos capitalistas e, depois, por sugestão (ordem?) dos mesmos capitalistas derrubar o governo de sua confiança?!

E se na percepção da sociedade portuguesa a credibilidade deste governo, que nasceu tão débil que precisou de ir para uma incubadora para sobreviver, merece nota negativa, também o sr. Presidente da República, por causa desta política de stop and go, não merece nota muito elevada se é que não merece nota idêntica à de Santana Lopes.

Nota-se claramente que o sr. Presidente da República andou mal, desde o princípio até ao fim, em toda esta questão. Até o líder socialista, José Sócrates, já em campanha, apressou-se a colocar todas as culpas em cima de Santana Lopes, não fosse este aparecer aos olhos dos portugueses como vítima, se Sampaio fosse considerado co-responsável, como é, desta crise política.

Estes factos assim encadeados causam-nos tristeza porque demonstram como são frágeis as personalidades das pessoas que nos governam ao mais alto nível.

Francamente pensávamos que os cumes estavam mais perto da excelência. Como a realidade consegue, por vezes, ser tão cruel!




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