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Quer fumar? Não obrigado – prefiro ser saudável!

O tabaco tem sido, desde longa data alvo das maiores acusações e dos maiores encómios, o que deixa muita gente perplexa.

N/D
4 Dez 2004

Neste momento muito se fala no elemento cancerígeno que faz parte da composição de duas marcas de cigarros. O que irá acontecer?
A tabaqueira produtora defende-se; os fumadores inveterados encolhem os ombros; muitos esperam que as autoridades tirem do mercado as referidas marcas.

Um pequeno fabricante de tabaco, reconheceu que fumar causa cancro nos pulmões, doenças de coração e enfisema – tudo situações graves. Muitos viram nestas afirmações uma justificação para o fabricante justificar os maus resultados económicos que tinha tido na sua empresa.

As grandes tabaqueiras entram em pânico, pois que foram revelados documentos que podiam incriminá-las; trataram então de criar um arquivo para guardar toda a documentação sobre os malefícios do tabaco para a saúde, a toxidade dos produtos incluídos nos cigarros, a dependência que o tabaco cria, pois também ele é uma droga, a publicidade aliciando menores, etc.

Supostamente esses documentos deviam ser confidenciais, mas não resistiram à fuga de informações.

O Estado é o primeiro a reconhecer os gastos com a saúde pública afectada pelo tabaco e quer a proibição de nicotina no tabaco (o tal tabaco «light»).

Os inimigos do tabaco pretendiam recuperar os fundos gastos pelo Estado no tratamento dos fumadores e queriam que houvesse negociações, que foram aceites pela primeira vez: as grandes tabaqueiras participavam com avultadas quantias para esses tratamentos ao mesmo tempo que reformulavam as suas campanhas de publicidade.

Pensavam assim reduzir o consumo do tabaco, sobretudo entre os jovens – trampolim para o consumo de droga, empregando o dinheiro em campanhas educativas mostrando os malefícios do tabaco. As negociações previam que se o número de fumadores não baixasse 50% em sete anos, as tabaqueiras seriam obrigadas a pagar elevadas multas.

Parecia ter havido uma vitória. A publicidade foi proibida nos recintos desportivos, na Internet, em filmes ou peças de teatro. Foi movida uma guerra às máquinas automáticas de venda de tabaco e os maços deviam ter escrito “Fumar pode matar” ou “Os cigarros causam cancro”.

Mas que vemos nós? Ainda há pouco nas corridas de Fórmula 1, vistas por milhões de telespectadores, os carros ostentavam os nomes das marcas de tabaco mais conhecidas e ao longo dos circuitos o mesmo se passava.

A venda de tabaco a menores é um facto – ninguém lhes pede o B.I. quando vão comprar tabaco. E a idade de começar com o vício é cada vez menor.

A tolerância das tabaqueiras relativamente às medidas que deviam tomar pareceram a muitos uma maneira encapotada de fazer publicidade. Os lucros que continuam a auferir dão para pagar as multas e participar nos tratamentos das doenças causadas pelo fumo.

Bill Clinton, quando Presidente doa EUA, empenhou-se a fundo na campanha contra o tabaco, mas à distância, pois que os acordos só se podiam converter em lei com a aprovação do Congresso, controlado pelos republicanos, que por sinal, estão bastante ligados às tabaqueiras.

Mais uma vez o dinheiro vence a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos.

Muitas tabaqueiras americanas sabendo que a lei vai demorar, mas pode vir a ser promulgada, começaram a preparar alternativas – neste caso a exportação.

O volume de vendas foi tal que deu grande margem de lucro às tabaqueiras – tiveram dinheiro para multas e programas de saúde.

Na X Conferência Mundial sobre o Tabaco e a Saúde mostrou-se com clareza as consequências nocivas do tabaco, quer para os fumadores activos, quer para os fumadores passivos. Fixaram-se linhas de acção para controlar o hábito que pode causar milhões de mortes até ao ano 2025.

Foram postas a claro as manobras feitas na América, entre o Estado e as tabaqueiras – o que perdiam lá, ganhavam com a exportação, transferindo os malefícios da América para o resto do mundo.

E como o dinheiro continua a ser a grande mola, os países abrem os braços à instalação das tabaqueiras, por causa do grande volume de impostos que arrecadam.

As pessoas não contam ou contam pouco: o que se contabiliza é o volume de impostos que entram nos cofres dos Estados e o volume de dinheiro que os Estados gastam com a saúde dos fumadores. Se o saldo for positivo a favor dos impostos, então venham as tabaqueiras, que serão bem recebidas.

Cancro, enfisema, doenças cardíacas a mais ou a menos, tem pouca importância – o que conta é sempre o lucro, mesmo à custa da qualidade de vida ou da própria vida humana, que neste caso, como em muitos outros tem vindo a sofrer forte desvalorização.

O Estado da Florida tentou a fundo as medidas contra as campanhas do tabaco. Pensou sobretudo nos jovens e deu prazos curtos às tabaqueiras para eliminar a publicidade nos recintos desportivos e a menos de 300 metros dos estabelecimentos de ensino.

O Governador de Florida conseguiu êxito: “Conseguimos uma vitória tripla: proteger as crianças, obrigar as indústrias a pagar todos os prejuízos causados aos contri-buintes e obrigar os fabricantes a falar verdade”.

Muitas tabaqueiras reconheceram que o tabaco pode produzir o cancro e causar a morte. Chegaram a afirmar que deixariam de fabricar cigarros se se demonstrar de modo cabal que o tabaco é uma droga mortal. Só pergunto do que estão à espera.

O consumo começa cada vez mais cedo e tem afectado mais as mulheres jovens que os rapazes. Será por snobismo?

O consumo do tabaco além de pernicioso é um trampolim para o consumo de outras drogas – sim, o tabagismo também é uma droga – e cada vez mais cedo isto acontece.

Esperemos para ver o que vai acontecer entre nós. Está na calha um projecto de lei bastante proibitivo o que levou um deputado (naturalmente um grande fumador) a dizer que se a lei for para a frente, Portugal vai ser o país com a lei mais restritiva da União Europeia.

Oxalá que sim; sempre é bom estar à frente em qualquer coisa positiva…




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