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No reino da parlapatice!

Ah, ó… eles falem, falem, falem e … nada! Eis uma réplica adaptada em forma de regionalismo (em pexitês, isto é, o modo de linguajar dos da vila de Sesimbra) dessa outra frase que anda nas bocas do povo… televisivo.

N/D
4 Dez 2004

O ar ingénuo do actor da frase citada perpassa a provocação daquilo que ele nos pretende dizer. Com efeito, ao referir-se ao muito que falam os ditos intervenientes põe-se em contraste com o pouco que fazem.
De facto, estamos a viver uma etapa da nossa vida nacional de muitas palavras – algumas desconexas, incongruentes e inconsequentes – onde nem sempre o que se diz corresponde ao que se ouve.

Também já lá vai o tempo em que tínhamos bons tribunos (pela palavra, pela postura e pela autoridade), tanto na vida política como na vida social. É notória a falta de qualidade de muitos dos que têm de falar, seja na comunicação social seja nos espaços públicos.

Vem em crescendo o desrespeito mútuo por aqueles que estão nos debates, faltando em muitos casos – de forma propositada, repetida e escandalosa – capacidade de dizer com clareza o que cada um dos participantes quer, pois outro logo corta a palavra, nesse afã de atabalhoar as ideias alheias e próprias, ficando todos à deriva.

Que dizer das intervenções de antigos titulares de cargos públicos que agora se arvoram em mentores//zeladores da integridade da Nação? Mário Soares (ex-PR), Cavaco Silva (ex-PM) e Freitas do Amaral (ex-presidente da ONU) vão lançando advertências sobre a autoridade dos titulares de cargos públicos, questionando o valor, as qualidades e até a competência de quantos ainda exercem esses poderes.

De facto, há lições de moralidade e congruência que percam por tardias: em que estado ficou o país quando esses políticos saíram do poder? Que credibilidade merecem hoje certas observações, se não conseguiram fazer melhor no tempo devido?

Serão rebates de consciência ou melindres de quem não foi capaz de governar com mais capacidade? Até onde irão as lições doutorais de tantos mentores do passado mais ou menos glorioso?

Se atendermos a que os mestres são avaliados pelos discípulos que deixam, teremos de discutir essas (tais) referências tão distantes pelos frutos que hoje vemos e podemos ques-tionar.

Não basta agora ser a consciência da democracia se o que deixaram foram tortulhos e fracos continuadores!…

São precisos – nos mais vários campos da nova vida portuguesa: social, religiosa, política, autárquica, etc. – líderes capazes de interpretarem os desafios do nosso tempo.

Assim saibamos descobri-los, prepará-los, ajudá-los e escolhê-los… para o melhor governo do nosso Portugal.




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