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Economia e demografia

Espero, e como eu muita gente, que o futuro governo a sair de futuras eleições consiga pôr ordem na nossa economia, travando essa hemorragia de encerramentode fábricas e incrementando a vida nacional nas diversas actividades, restituindo a confiança ao Povo Português

N/D
3 Dez 2004

Não sou economista. Apenas giro o meu domicílio e agregado familiar, sem problemas nem apreensão, dentro da sua simplicidade e modéstia. Mas participo da apreensão de tantos compatrícios ao divisarmos o panorama desta terra banhada pelo Atlântico.

É que são exuberantes as notícias de falências e mais falências de unidades fabris, algumas com avultado número de operários, que entram no desemprego. É uma espécie de hemorragia do tecido empresarial português.

Por outro lado, a agricultura portuguesa, que constitui o sector primário da produção, sofre um aviltamento e estagnação de grande monta. Com excepção de alguns espaços vizinhos das cidades e vilas e de algumas cooperativas, o quadro geral é de abandono puro e simples, com as populações a debandarem das zonas rurais para as redondezas dos centros urbanos.

Enquanto acontece esta preocupante realidade, vemos os produtores estrangeiros a invadir os nossos mercados com os seus produtos, sobretudo oriundos da vizinha Espanha. E há também uma implantação incisiva do comércio chinês em território nacional.

Afirmava alguém com conhecimento de causa, num programa televisivo, de que sem fábricas não pode haver produção de riqueza; e de que, por este caminho, Portugal se converterá num país de serviços, isto é, de criados ou serventuários.

Por outro lado, não se vêem com evidência os resultados dos fundos comunitários que recebemos da União Europeia, a não ser em auto-estradas, as quais, por sua vez, acabam por pesar bastante nos bolsos daqueles que as têm de utilizar frequentemente por motivos laborais.

Razão tinha um político que há dias prevenia contra a má gestão da “coisa pública”, por políticos de “segunda”, pois os mais capazes vivem afastados. Afirmava que Portugal está a divergir do comum da Europa e a entrar num caminho de inferioridade económica, talvez semelhante aos povos do chamado “terceiro mundo”.

Creio que um dos males da governação dum povo é realizá-la por teorias ou conceitos ideológicos, sobretudo quando se situam nos extremos duma correcta visão da realidade.

Afirmava o actual Papa, em “A solicitude social da Igreja”: «A doutrina social da Igreja não é uma terceira via entre capitalismo liberal e colectivismo marxista… Não é tão-pouco uma ideologia, mas a formulação cuidada dos resultados da reflexão atenta sobre as complexas realidades da existência do homem, na sociedade e no contexto internacional, à luz da fé e da tradição eclesial… Pertence, por conseguinte, não ao domínio da ideologia, mas da teologia e especialmente da teologia moral» (cap. VI).

A doutrina da Igreja, exposta em vários documentos, como a “Rerum novarum”, “Quadragesimo anno”, “Mater et magistra”, “Populorum progressio”, “Laborem exercens”, expõem uma doutrina social oposta a essas correntes económico-filosóficas. E Portugal, nos últimos anos, tem vivido sob um regime praticamente neo-liberal.

Outro problema que deve preocupar os governantes é o envelhecimento da população, «um problema demográfico». Afirmava também o Papa: «o que preocupa é a quebra do índice da natalidade, com repercussões sobre o envelhecimento da população, incapaz de se renovar biologicamente. Este fenómeno pode, por si próprio, constituir obstáculo ao desenvolvimento» (cap. III).

A visão de futuro deve levar a campanhas de natalidade e não de aborto. Aliás, esta terra, habitada outrora pelos mais díspares povos, voltará a sê-lo no futuro, por outros vindos do Oriente e do Sul. Afirmava alguém há dias que Portugal necessitava de um milhão de bebés nos próximos anos para compensar o elevado índice de velhos que existem actualmente.

Já depois de ter digitalizado este artigo, tomei conhecimento do anúncio da dissolução da Assembleia da República. Espero, e como eu muita gente, que o futuro governo a sair de futuras eleições consiga pôr ordem na nossa economia, travando essa hemorragia de encerramento de fábricas e incrementando a vida nacional nas diversas actividades, restituindo a confiança ao Povo Português.

E também acabando com esse «experimentalismo na educação», como afirmava o Presidente da República há meses, dando estabilidade às escolas.

Tem sido uma algaraviada, com os ministros a considerarem-se reis e senhores do sistema educativo, sendo de facto os principais agentes da “babilónia” em que o mesmo caiu.




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