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A oportunidade

Cavaco Silva sugeriu, há dias, que os bons substituam os maus políticos. Pois bem, aí está, mais cedo do que alguns pensavam, uma boa oportunidade. De facto, o país vai, antecipadamente, a votos.

N/D
3 Dez 2004

Faça-se então a mudança que Cavaco defendeu e tantas mãos de imediato aplaudiram… Ou não há coragem para tanto?
Se querem a minha opinião, acho que não há. Simplesmente porque a política portuguesa há muito que é terreno ocupado por alguma gente que faz disso um modo de vida e, com o seu atrevimento ignorante, escorraça quem não está na disposição de jogar certos jogos, vender palavras fáceis, atraiçoar o bem comum.

É claro que há na política nacional muitas pessoas cheias de qualidades; e é por isso que não entendo que não se imponham, não dêem um murro na mesa, não chamem a si um povo desgarrado e a precisar de líderes. Por onde andam?…

Uns, depois de várias tentativas para elucidar os espíritos, desistiram, ao constatarem a predilecção pelas banalidades sonantes que estão a fazer caminho. Outros, acomodaram-se, numa espécie de vingança íntima («ai é isso que querem?»). Um terceiro grupo vive uma espécie de hibernação em nome da decantada fidelidade partidária que obriga a ter cuidados com a incubadora…

A política – ao menos tal como a entendo – exige paixão, entrega, paciência, capacidade de previsão, inteligência e desinteresse. Situa-se, pois, numa dimensão vocacional, sem a qual não passa de mera profissão, que há que rentabilizar depressa e bem…

Admiro, entre os políticos, aqueles cujo apego ao bem comum nem o tempo deteriorou. Arrepiam-me, pelo contrário, os que parasitam o sistema e que, para mim, sempre estarão a mais, ainda que seja para um único mandato!…

Sim; precisamos de bons políticos: homens e mulheres intelectualmente válidos e eticamente bem formados, apaixonados pelo bem comum, trabalhadores, capazes de não contradizer a verdade, por mais custos que isso tenha.

Podem gostar de futebol e de visitar mercados; mas, acima de tudo, coloquem a pessoa humana, amem a cultura e nunca percam a dignidade exigida pelas funções que exercem.

Podem ter amizades com todos os poderes; mas não se dobrem ao peso do dinheiro ou das influências.

Podem repetir mandatos; mas entrem sempre no trabalho com a simplicidade e disponibilidade do primeiro dia e também com a humildade de quem se sabe delegado do povo e não senhor da quinta, com pedaços de terra para distribuir por cortesãos…

Cidadãos atentos, deveríamos ter a coragem de ler vagarosamente as listas que os partidos vão formar e, em consciência, não ter medo de dizer : «este, este e mais este, não, meus senhores!…».

Além de outros critérios, ajudaria muito que consultássemos o Diário da Assembleia, analisando o que por lá (não) fizeram. Assim, quando por aí nos aparecerem, nos próximos tempos, estaremos preparados: ofereçamos-lhes uma enxada de cinco libras.

Em nome da produtividade e da agricultura nacional, que está carente de braços…




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