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Na peugada do Bom Papa João XXIII

Como Papa já idoso, ele pôde reconhecer como são importantes as decisões de vida,que se tomaram na juventude

N/D
30 Nov 2004

Muitas histórias se contam deste Papa. Mas pelo exterior, melhor se pode conhecer o interior de uma vida marcada pelo terrunho e telúrico das suas raizes, que tanto o influenciou e cobriu de aura transcendente, com um significado universal. A fonte continua a ser a sua casa e a família Roncalli, em Sotto-il-Monte, próximo de Bérgamo.

A terra colada aos seus pés, que ele beijou nas suas viagens e mesmo nas salas do Vaticano, exprimem o homem de amor pelos seus, que visitou muitas vezes na casa da sua terra natal.

Através de 727 cartas aos seus familiares, que o Bispo Loris Capovilla fez vir à luz , descobre-se a infinita ternura pelas pessoas e o valor sagrado da família. Exprime-se a alegria do seu pai, que ao vê-lo nascer, exprime o júbilo pelo 32.° elemento da família Roncalli. Nelas não adivinhamos apenas as muitas facetas decorativas da sua vida, mas sobretudo as que impregnaram a sua alma.

Em Sofia, em Paris, ou cardeal de Veneza, ou no Vaticano, definem-se as recordações, as suas palavras, atitudes como irradiação de uma vida, com que a terra o marcou. Um dia na Turquia, escreveu:

“A graça do Senhor ajuda-me a nunca esquecer a minha aldeia, os campos, onde os meus em simplicidade e confiança trabalhavam, e a consideração pela beleza do Sol, que reflecte a grandeza de Deus”. Aqui se fundam as raízes da santidade de que se nutrem como terreno do seu húmus original. Aí aprendera a pobreza das bem-aventuranças evangélicas.

Em Veneza, no fausto dos palácios dos Dodges, perante a sua majestade, dizia ele: “Nós éramos pobres, mas felizes com a nossa sorte; nós confiávamos na ajuda e protecção divina. Na nossa mesa nunca havia pão, mas a Polenta; Não havia vinho para os filhos e jovens, raramente, carne, quando muito pelo Natal… Páscoa e bolos caseiros. Mas, se um pobre batia à nossa casa, onde os filhos, à mesa, já esperavam impacientes a sopa, havia sempre um lugar para ele e a minha mãe convidava-o a sentar-se connosco”.

Em muitas cartas, exprime muitos pormenores concretos, preocupações de/ e pela família, como por exemplo, a do pai que devia consultar um dentista por preço não muito caro…

No seu testamento de Veneza, em 29 de Junho de 1954, escreve:

“Como nasci pobre, assim gostaria de morrer. Exceptuando o conforto, os espinhos de uma pobreza suportável, muitas vezes me protegeram e me impediram de viver na medida em que eu gostaria mais…. Eu agradeço a Deus por esta graça da pobreza, que apreciei na minha juventude-pobreza de espírito como Padre do Sagrado Coração de Jesus e pobreza material: isto me ajudou a nada favorecer, nem para mim nem para os meus parentes, ou amigos… Além disso, aos meus familiares de sangue posso apenas deixar uma grande bênção em especial e convidá-los a conservar este temor de Deus, através do qual vivi esta simplicidade e modéstia, de que nunca me envergonhei, sempre muito cara para mim, aliás constitui o meu verdadeiro título de nobreza. Eu apoiei-a de vez em quando, com medo de ser o mais pobre dos pobres, que não teve a sorte de a ter tomado na sua honrada e feliz pobreza”.

Na sua casa, do mesmo testamento, pode ler-se: “Meus filhos, amai-vos uns aos outros. Procurai mais o que vos une do que aquilo que vos separa (…) Na hora do adeus, o melhor da vida será Jesus Cristo, o evangelho, a sua Igreja, a verdade e a bondade. A todos lembro e por todos eu rezo”(…).

No seu Diário, onde escrevia regularmente, nos seus mais de 67 anos, deixou as páginas mais belas e cheias do tempo de seminarista em Bérgamo e em Roma. As primeiras, datam dos seus 14 anos. Aí se referem as normas rígidas do Concílio de Trento dirigidas aos padres. Escreve: “eles devem purificar-se das mais pequeninas faltas…” Esta foi a regra de oiro de toda a sua vida. Com 17 anos escreveu: “Eu tudo farei para que Jesus um dia possa dizer de mim o que disse a Santa Teresa: “Eu chamo-me o Jesus da Teresa. Mas antes devo ser Ângelo de Jesus”.

Como Papa já idoso, ele pôde reconhecer como são importantes as decisões de vida, que se tomaram na juventude: “Eu queria amar a Deus com todas as minhas forças…
Levei tudo a sério e esforço-me na minha consciência muitas vezes”.

Escreveu ainda sobre o influxo que tivera em si o bom padre da sua aldeia, de quem recebeu um exemplar da imitação de Cristo, de Tomas Kempis, como oferta. Foi este o grande exemplar para toda a sua vida: “Tornou-se o mais precioso livro da minha heranca”. Quando, logo após a sua ordenação sacerdotal, devia falar aos seminaristas, improvisava logo desse livro: “Ó divina amizade com Jesus… isto é a nossa vida, isto é o segredo, isto o que ilumina a nossa vocação… Não há amor materno, que tenha uma tão grande ternura e tão essencial como a que Jesus teve para connosco”.

Assim se tornou o jovem Roncalli no Angelo de Jesus, com o seu verdadeiro nome, o seu mais nobre título, mesmo se mais tarde seria o bom Papa João XXXIII.

Vale a pena recordá-lo e ler esse diário, tanto sacerdotes como leigos… também sacerdotes…




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