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“Las Coses são las coses”

A acção dos políticos é desde logo uma luta, pelo menos até atingirem o poder, entre várias personagens, vários partidos, ou outras associações quaisquer

N/D
30 Nov 2004

Perdoe-me desde já o caro leitor o título menos vulgar deste pequeno texto, mas decidi usar uma expressão típica do meu amigo “Manga” para desenvolver um raciocínio que me parece pertinente e que, no fundo, tem que ver um pouco com toda a gente.
Ora diz o meu amigo “Manga” que, efectivamente, “las coses são las coses”, ou seja, as coisas são o que são e não vale a pena inventar. Pode parecer absolutamente disparatada uma coisa destas, mas se a adaptarmos a determinadas situações, faz algum sentido.

Queixam-se as pessoas que os políticos falam muito e fazem pouco… o que nos nossos dias é um pensamento perfeitamente generalizado, visto que a esmagadora maioria das pessoas pensa isso mesmo.

A acção dos políticos é desde logo uma luta, pelo menos até atingirem o poder, entre várias personagens, vários partidos, ou outras associações quaisquer, mas importa aqui referir que é uma luta.

Dessa luta apenas pode resultar um vencedor ou um grupo de vencedores. Logo aqui verificamos que para que o combate político aconteça tem que haver luta e como na nossa querida democracia luta não significa propriamente luta física, referimo-nos a uma habilidade retórica de transmissão de ideias para que aqueles que vão determinar quem vence a batalha possam escolher quem entenderem ser o(s) melhor(es).

Até aqui tudo seria perfeitamente compreensível se quem usa essa arte da retórica tivesse pelos menos mais uma habilidade: falar sempre verdade, ou seja, não prometer o que não pode cumprir.

Bem sei que na política não se mente, apenas não se diz a verdade toda, mas seria importante criar-se o hábito de dizer o que se pensa realmente, como se pensa, para que as pessoas votassem em consciência e não lhes saísse o tiro pela culatra.

Como as coisas estão, ouvimos constantemente dizer que os políticos são todos uns mentirosos, uns vigaristas, uns isto… uns aquilo! Até há quem diga que “eles falam, falam… falam, falam e não os vejo a fazer nada! Fico chateado…com certeza que fico chateado!”, embora neste caso concreto não seja feita uma referência à classe política, pode-se aplicar quase em pleno ao pensamento de muitos portugueses, que até se vão manifestando com o simples, mas significativo acto de não ir às urnas. Isto sim deveria ser motivo de reflexão por parte da classe política portuguesa.

A situação é tal que as pessoas nem sequer se dão ao trabalho de se preocupar com decisões tão importantes como quem vai governar o País durante quatro anos… e porquê? Por culpa de x milhões de pessoas ou antes por responsabilidade do grupo restrito de pessoas que compõe a classe?

Este é assunto que nunca foi encarado com real preocupação e cuidado por parte de quem tem que o fazer.

Poderiam começar por seguir o exemplo do meu amigo tendo como referência a sua expressão e dirigindo-se aos eleitores com esta máxima “as coisas são o que são” e têm que ser ditas como tal, sem desvios para ludibriar nem enganar ninguém!




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