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Este jeito português

1. Acho que há um jeito português de lidar com as mais diversas situações; algo que é só nosso, verdadeiramente patenteado.

N/D
30 Nov 2004

Temos o jeito da última hora, que faz coincidir a derradeira martelada na obra, com o primeiro foguete da inauguração. E porque vai dando certo, ninguém pensa em mudar…
Temos o jeito de querer estar de bem com todos, que nos leva a navegar nos brandos costumes e a balançar entre Deus e o diabo. E, assim, vamos desejando tudo e o seu contrário: disciplina sem educação; segurança sem vigilância; escola sem exigência; emprego sem trabalho; pão sem suor…

De tão habituados ao jeito, não somos profissionais. Por isso, se se pergunta a alguém se sabe fazer isto ou aquilo, o mais certo é que a resposta seja: «dou-lhe um jeito…»

Amantes do improviso, aborrecem-nos a norma e as regras e, se no-las exigem, viramos pedintes: «faça lá esse jeito!…»

Somos injustos: vingamo-nos de quem se põe a jeito ou promovemos os jeitosos/as…
E foi assim que chegámos ao ponto onde estamos: um momento gelatinoso, medíocre, de contínuas rebaixas, saldos ou promoções. E, neste tempo, o herói é o que dá menos, o que ludibria o sistema, o carrasco!…

2. Outra situação com a qual embirro solenemente é o trauma…

O trauma desculpa tudo e impede quase tudo. Por isso, antes de saber se a pessoa se empenhou ou não, o melhor é saber se mamou no seio esquerdo ou no direito e que efeitos marcantes isso teve na sua história de vida. Saber se as fraldas eram de marca ou caseirinhas da silva. Saber se jogou ao “apanha” ou se teve brinquedos caros de meia hora de uso.

É fundamental saber tudo isto. É que pode muito bem ter havido trauma…

Mas não olhemos só para o dia de ontem. É que se o passado não deixou marcas, cuidado com o que agora acontece… Por isso, por favor, não se diga ao menino quem manda em casa: deixem-no mandar a ele, ou querem traumatizá-lo?

Dêem uma nota decente: passem esse cinco para dez; ou querem traumatizar o aluno, com a pressão que o obriga a esforçar-se mais, deitar-se mais cedo, beber menos nas noites brancas?

Não falem de produtividade àquele “calão” que, mesmo de graça, ficaria ofensivamente caro no posto que ocupa; ou, malditos capitalistas, ainda querem também sugar-lhe a calma com que olha os outros?

…Posso estar pessimista, mas tenho a impressão de que gostamos de ser os últimos e ainda gritamos: não empurrem!…




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