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Haverá (mesmo) um poder gay?

Há dias um canal de televisão francês discutia a pergunta: «haverá um poder gay?» Se bem que não tenha tido oportunidade de acompanhar aquele programa, ficou-me a vontade – tanto ao nível intelectual como na vertente moral – de aprofundar a questão, tentando descortinar o que aquela pergunta tem a ver, de facto, com a conduta – mais pública do que meramente privada – nos dias de hoje.

N/D
29 Nov 2004

Se atendermos a certos “episódios” da nossa vida colectiva como que perceberemos que há novas formas de conduta que se vão tornando mais ou menos sincronizadas.

Algumas têm tanto de inovadoras quanto de provocatórias, tendo em conta as (habituais) regras naturais e os modelos (ditos) tradicionais. Sem pretendermos situar-nos no campo de juízo moralista e tão-pouco moralizante, há, de facto, certos sinais que nos ajudam a vislumbrar um certo “poder gay” nalgumas das instâncias do nosso tempo.

Quem duvidará que esse “poder” esteve presente quando obstaculizou a indigitação de Rocco Buttiglione – um italiano católico, membro do movimento Comunhão e Libertação – para comissário europeu na área da Justiça e Assuntos Internos?

Terão sido só as ditas «opiniões pessoais» – como dizia o português titular da pasta anteriormente – do indigitado que fizeram tantas ondas? A concertação de oposições terá sido esporádica ou bem cuidada? Numa Europa, que se pretende pluralista, até onde irá a uniformidade amoral das suas leis, desde que não prejudique certas (ainda) minorias?

Tempos houve em que o rótulo de “gay” ou lésbica era considerado algo com sabor a ostracismo, mesmo que a moralidade reinante fosse de complacência para com grupos ou tendências menos (ditas) normais. Nessa época era-se discriminado por ter ou manifestar tal tendência ou orientação sexual. Agora como que se inverteram as leituras: parece que a discriminação está apensa a quem não o for ou, pelo menos, não souber disfarçar!

Há quem questione a rápida difusão e consagração de certas modas (sejam artísticas ou culturais): quem manobra a sua propaganda? Quem lhes dá cobertura nalguma (amarela, cor de rosa, de cordel ou de referência!) comunicação social? Quem influencia quem e com que patrocínio? Poder-se-á medir tudo e todos pela mesma bitola?

Quando no mundo, na Europa e em Portugal se nota uma clara falta de liderança é assaz preocupante verificarmos uma conotação de opções mais em função de lobbies sexuais do que da valorização humana integral das pessoas, seja dos que têm de exercer a autoridade seja daqueles que entram no círculo – espera-se que não seja fechado! – do poder. Estamos, de verdade, numa viragem cultural acentuada. Assim o cristianismo seja capaz de a interpretar, discernir e refontalizar nos valores do Evangelho.




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