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Deuses-robertos…

Não tentarás ao Senhor teu Deus» – rezam os textos bíblicos que dariam lugar ao segundo preceito do Decálogo. Falar de Deus é arriscar-se a pecar por defeito ou por excesso…

N/D
29 Nov 2004

Deus, a existir, não pode caber numa definição por mais completa que pareça… O Eterno, o Imenso, o Incomensurável, a ser um Ente real, será Alguém cuja infinitude transcende espíritos limitados e transborda de palavras humanas que pouco ou nada dizem… Deus – Aquele que é – não pode ser aquilo que os homens imaginam ou querem que seja… Conhecê-Lo, pela razão ou mesmo por uma coisa chamada fé, não dá direito a aprisioná-Lo, manietá-Lo, manobrá-Lo a qualquer belo prazer, como fazem as mãos ágeis dos manipuladores dos bonifrates, fantoches ou robertinhos…
E ouve-se por aí cantos palradores de Deus!… Pronuncia-se essa palavra e explora-se o seu conteúdo como quem descasca e come a medula de uma noz!… E pinta-se um Deus zangado, alegre, presente, ausente, triste e amargurado, sorridente e abençoador, por nós e contra nós, juiz vingador e pai afectuoso!…

E programa-se a actividade ou agenda de Deus como quem superintende ou comanda os desígnios dessa divindade!… E pede-se em nome de Deus, exige-se como o feitor que delegou, ordena-se como quem profetiza com suposta autoridade!… Quais feitores mais possantes que o Dono!…

E há banquetes em nome do Senhor!… E escorraçam-se do festim os que não envergam “traje nupcial” que mais não é do que criação de habilidosos estilistas que bem sabem o que fazem!…

Pior que tudo isto é a rigidez dogmática com que se eliminam encruzilhadas, com o sentido único obrigatório do “ou assim ou nada”!… Ou então – pior ainda – corrompem-se as emanações espontâneas da alma falando linguagens inefáveis, com bênçãos de actividades comerciais litúrgicas, onde o Deus que tudo pode e manda “aceita” ser parte de contratos e compromissos!…

Isto, quando não se coloca o nosso Deus a dar ordens, para matar, prometendo, como prémio, um paraíso de venturas, com muitas “virgens” ao dispor!…

No entanto, porém, o Deus, a existir, é “aquilo que é” e não sabemos, muito longe daquilo que certas pessoas profetizam, dogmatizam, tentam fazer supor que seja!…

“Torre de Babel”, constantemente ruindo…!

“Deus”, encontrado por cada um no espelho sublime da consciência mais pura, profunda e íntima, do ser pensante, será luz, farol, ou talvez íman!… Teofanias misteriosas!…

“Deuses-robertos” – que outros os sigam!…




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