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O esqueleto da Europa

Tantos são os temas que todos os dias, com premência, nos batem à porta, que nos podemos perder na arrumação da casa e no alinhamento das prioridades. Cada facto novo desencadeia uma série de reacções, temperadas pelo sentimento do imediatismo e pela sobrevalorização do momento.

N/D
26 Nov 2004

A recente assinatura da Constituição Europeia mereceu justos e oportunos comentários da parte de muitos observadores, de todos os quadrantes ideológicos. As ópticas foram, muitas vezes, diferentes, mas um texto desta ordem presta-se sempre a análises fragmentadas. De comum encontramos elementos válidos para o Leste e para o Ocidente mesmo dentro das suas diversidades históricas ou culturais.
Não vem a despropósito recordar que o Cristianismo como matriz da Europa tanto se cruza no Romano como no Bizantino, constituindo elemento único de ligação ainda que em Igrejas separadas. Mas os senhores da Constituição Europeia acharam por bem criar o buraco da memória para sepultar alguns factos menos interessantes na defesa fundamentalista de um certo laicismo.

Apesar disso, a Constituição Europeia merece estudo e reflexão por parte dos países nela envolvidos, pois uma Constituição é um objecto determinante na condução de um país e, no caso, de um acordo europeu que vai muito mais além que um simples contrato de compra e venda.

Neste sentido, merece a melhor atenção o trabalho de um “Grupo de Reflexão” liderado por Romano Prodi que, ao aprofundar a identidade da Europa, lhe considera matriz e essência «a componente de espiritualidade, mormente a sua afirmação religiosa».

Chega mesmo a tocar na ferida ao afirmar que «sociedades democráticas europeias a partir de uma experiência trágica tentaram arredar a religião da esfera política». E, sem negar a importância da secularização reconhece que, na Europa “é inconcebível a vida pública sem a religião”.

Não se trata de abraçar frases que vêm mesmo a calhar quando se prepara o “Referendo” sobre a Europa. Mas importa que, ao lado das consequências de carácter político, económico, social e jurídico, deste reencontro histórico da Europa, se revisite a dimensão espiritual e religiosa deste Continente. É preciso deixar claro que sem a componente religiosa a Europa não passa de um esqueleto desarticulado e imperceptível.




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