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Será recalcamento?!

Faço hoje aquilo que, apenas por esquecimento, ainda não fiz. E, se desta vez dedico ao caso o tema analítico, foi impelido por uma estatística divulgada recentemente.

N/D
25 Nov 2004

Ela revelou que 10% dos portugueses dizem situar-se no centro, quanto ao seu posicionamento político. Em resumo, pertenço ao grupo político dos 10%. Não obstante o teor do que amiúde expresso parecer que me situo na direita, desiludo quem assim pensa.

O meu voto nunca foi atribuído a uma força política que se situe nessa área, talvez porque sempre dei razão a quem se exprime, dizendo que o comportamento dos extremos é exactamente igual. Normalmente, não olham a meios para atingir os fins.

Embora por vezes não passe de uma utopia, também aceito que no centro se encontre a virtude com mais facilidade.

O que não enxergo, é uma quase obstinação de certos cronistas, que já foram representantes no Parlamento de uma determinada facção partidária: hoje, de certo modo, equidistantes em relação ao partido no qual estiveram integrados, só conseguem ver defeitos nessa área política! Acreditando que o não seja, poderá, por razão lógica, qualquer leitor ajuizar que tal comportamento se deve a uma espécie de recalcamento político.

É de todo natural que o grande desencanto pela política partidária acuse tendência mais para acentuar do que para atenuar. Incidências várias, muito negativas, nos dizem que o ciclo que atravessamos não é nada abonatório para os políticos que temos. Porém, os vícios geradores do desencanto são revelados por todos os partidos.

Não sejamos ingénuos, admitindo que tudo muda para melhor, se outra força política alternativa – e todos sabemos qual é – assumir o poder no próximo sufrágio. Isso é pura ilusão. Não somos tão falhos de memória, revelando tamanha ingenuidade.

Situar vícios e combater a sua permanência é não só necessário como dever de qualquer cidadão.

O dever cívico não deve circunscrever-se a fazer apenas uma cruzinha de vez em quando. Porém, o exercício crítico num só sentido é, como se diz em gíria popular, pretender ser mais papista que o Papa. E, o que não abona o cronista, poderá dar azo a interpretações erróneas.




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