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Há um tempo para tudo…

O título desta coluna, esta semana, remete-nos para a existência do tempo, da sua relatividade e, apesar deste ser uma invenção do homem, serve única e simplesmente para reger a sua vida.

N/D
25 Nov 2004

O livro do Eclesiastes, na Bíblia, tem um belo poema dizendo: «Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, tempo para matar e tempo para curar, tempo para destruir e tempo para edificar, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para se lamentar e tempo para dançar, tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar, tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço, tempo para procurar e tempo para perder, tempo para guardar e tempo para atirar fora, tempo para rasgar e tempo para coser, tempo para calar e tempo para falar, tempo para amar e tempo para odiar, tempo para guerra e tempo para paz». (Ecl. 3, 1-8).
Nesta época do ano, em que termina o ano litúrgico e se aproxima o início do Advento é uma boa altura para cada um pensar no tempo, como o divide, aproveita e vive.

A nossa sociedade, uma autêntica fábrica de stress, acelerou de tal forma o tempo, que parece que vivemos numa autêntica roda viva, apesar de cada dia continuar a ter 24 horas.

Ninguém parece viver o tempo que tem para viver, correndo de um lado para o outro, acumulando tarefas e funções e relativizando as épocas, festas e celebrações. Prova evidente disto é o início da época natalícia em pleno mês de Novembro. Uns dizem que é o comércio o culpado, eu diria antes que é a sociedade de consumo em que nos tornamos a ré dessa acusação.

Logo a seguir ao tempo de saldos de Verão, vem o “dia das bruxas”, depois o S. Martinho, e ainda o ar cheira a castanha assada, veêm-se pinheiros, iluminações, pais-natal, e por aí adiante.

Há que viver cada tempo, fazendo aquilo para o qual foi destinado. Não se deve subverter os dias feriados, semanas, meses. É certo que já quase não sabemos quais são as frutas e as flores da época, já não nos lembramos da diferença entre o fim-de-semana e da semana de trabalho, e por aí fora…

Cada um deve fazer o seu plano de vida, inseri-lo e adaptá-lo à sua família, e dar a cada momento o valor e o lugar que lhe compete. Existe, quer queiram quer não, uma escala de importância na vivência dos diversos tempos, e só vivendo cada um no seu devido lugar é que a vida ganha sentido.

É bem certo que para viver esta máxima de que existe um tempo para tudo, é precisa muita paciência, mas quem espera sempre alcança, não é verdade?




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