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Serviço Público de Informação

Anda todo o mundo preocupado em saber o que é o serviço público que a comunicação social, mormente a de índole estatal, tem obrigação de prestar ao país.

N/D
24 Nov 2004

Há jornais que sistematicamente perguntam, em reportagens e entrevistas a pessoas consideradas importantes, em que consiste esse tão propalado serviço que, pelo que se lê e ouve, ninguém sabe perfeitamente o que é.

Evidentemente, que não serei eu a definir, em que consiste o tão badalado serviço, embora a definição não seja difícil de elaborar.

Em termos práticos e em jeito «lapaliceano», parece-me que, para executar esse tão pretendido serviço, bastaria que a maioria da comunicação social procedesse de maneira diversa da que no momento faz.

O serviço público de informação, no meu entender, não deve ser exclusivo dos jornais e televisões públicas, mas deve ser alargado a todos os diversos agentes de comunicação.

Se uns devem agir por dever oficialmente remunerado, outros podem-no fazer por brio e pundonor.

Prestar serviço público, seja de informação, seja de qualquer outra ordem, deve ser atitude moral de todos os portugueses.

É uma forma de colaborar no bem público e no engrandecimento da Pátria.

Os jornais e as televisões, geralmente, colocam à frente dos seus projectos, não o tal serviço público, mas as audiências e as vendas.

Assim, sangue e violência, politiquices e questiúnculas, erotismo e ninharias, têm prioridade garantida.

Actos de coragem humanitária, investimentos públicos ou privados, avanços tecnológicos da ciência, atitudes de filantropia social, convívios culturais e científicos, pelo que se vê, nada disto interessa aos noticiários.

Quem já reparou e deu o devido relevo ao serviço público que um pároco da aldeia realiza devotadamente numa paróquia, para além do seu múnus específico?…

Quem já salientou a carolice gratuita de tantos dirigentes, à frente de grupos culturais, lúdicos e recreativos, nas suas freguesias?…

Infelizmente, o lado positivo do país pouco conta para a comunicação social.

Os demorados telejornais contundem informação com reportagem; formação individual com satisfação de curiosidade mórbida; novidade com segunda tiragem da repetição; investigação jornalística com mexerico da praça pública; horário nobre de informação com banal ocupação de tempo morto, análise com opinião.

Os noticiários de política, em vez das causas nacionais, transmitem a lengalenga da competição partidária, num duelo de «ping-pong» mal jogado, que nada interessa ao país.

Do parlamento, as notícias que mais nos chegam são as tricas pessoais dos deputados, sempre com a defesa da honra na ponta da língua – a de S.as Ex.as, que não a da Pátria – porque essa continua a ver subestimado o nome e a fama, na cauda das estatísticas internacionais.

Assim, deste «jardim à beira-mar plantado», em vez do cheiro da rosa e do perfume do cravo, somente nos chega o desagradável odor do estrume e o restolho outonal das folhas caídas.




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