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Contra a petulância

Nunca é tarde para aprender, sobretudo aquilo que vale realmente a pena

N/D
24 Nov 2004

Razão tem José Maria Marco quando escreve: «Os progressistas acreditam que o seu domínio sobre os meios de comunicação social e o meio académico lhes outorga o controle ideológico da sociedade».
Com raríssimas excepções, nos tidos por grandes meios de comunicação social, imperam os que se auto-denominam de progressistas e de intelectuais. Quando as coisas não correm de feição, logo apelidam de obscurantistas os que ousam ter outras ideias e opções de organização da vida política.

Foi assim que reagiu o nosso inefável Mário Soares dizendo que a melhor América é que tinha perdido as eleições. Ou ultimamente quando afirmou que em Portugal estávamos a viver o pior período da democracia pós 25 de Abril!

Claro que para os progressistas portugueses era impensável que 2 adversários políticos trocassem entre si palavras como as que reproduzimos de seguida e extraímos do jornal «El Mundo», de Madrid, de 19 de Novembro, no relato que faz da inauguração da Biblioteca Presidencial Clinton.

O antigo presidente democrata afirmando «Creio que o trabalho de um presidente é entender e explicar o tempo em que se vive, estabelecer uma visão de para onde se deve ir e a estratégia de como aí chegar, e depois perseguir tais ideais com a sua mente e o seu coração».

Aproveitou a ocasião para apelar à unidade entre democratas e republicanos e desejou ao recém-eleito Presidente Bush que «cruze a linha para a paz no Oriente Médio».

Teve ainda duas frases mais, que são inimagináveis entre os nossos políticos, quer no poder, quer sobretudo na oposição: «Todos estamos a rezar por ti».

De seguida, repetiu a conversa que tinha tido com um amigo poucos dias antes das eleições: «Serei o único a quem lhe caem bem os dois candidatos, George W. Bush e John Kerry?… As nossas diferenças são importantes, mas muito mais importante é a nossa humanidade comum».

O ex-presidente Bush, pai, que Clinton derrotou, impedindo-o de ser eleito para um segundo mandato, esteve presente na inauguração e dirigiu a Clinton palavras cálidas, recordando a lição que tinha aprendido do que qualificou como o homem da Esperança: «Nunca abandones, nunca deixes de lutar».

Reconheceu a sua falta de jeito para os debates públicos e como tinha ficado embaraçado no debate com Clinton. Bush pai comentou que ele mesmo tinha aprendido da maneira mais dura a eficácia das ideias de Clinton e a sua capacidade para o olhar fixamente, dar-lhe a mão, cuidar da sua pequena filha e do cão, tudo ao mesmo tempo, enquanto Bush confessou que odiava tudo isso.

O actual presidente Bush também esteve presente e elogiou Clinton e destacou o papel que as três mulheres tinham desempenhado na vida de Clinton: Hillary, a esposa; a filha Chelsea, e a mãe Virgínia Kelly.

De facto, a América é diferente de nós, mas dá uma saudável inveja a quem procura ter os olhos límpidos e se rege pelos valores cristãos, não apenas na intimidade, mas na vida pública.

Como seria diferente a nossa política se houvesse esta elevação moral e esta grandeza humana!

Cada vez dá mais que pensar a influência positiva que os valores cristãos exercem sobre os políticos nos Estados Unidos. E ainda bem!

Também vale a pena pensar quanta razão tem José Francisco Serrano Oceja, chefe de redacção do semanário «Alfa y Ómega» quando escreve: «Alguns cristãos criticam mais a Igreja com base nos pressupostos dos partidos políticos em que militam ou com os quais mais se identificam, do que criticam os programas políticos dos seus partidos, apoiando-se nos pressupostos da Igreja a que dizem pertencer».

Não falta aqui matéria para séria reflexão. E nunca é tarde para aprender, sobretudo aquilo que vale realmente a pena. Mas, como dizia Pessoa, tal só será possível se a alma não for pequena.




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