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Deplorável generalização

Venho por este meio expressar a minha indignação pelo artigo presente na edição de hoje, 2004-11-18 , do “Diário do Minho”. Qual não é o meu espanto quando, “folheando” a versão online do vosso jornal me deparo com um artigo, integrado no espaço “Cidadania”, cujo título era “A degradação da Escola”.

N/D
23 Nov 2004

O conteúdo do artigo diz respeito a um acto de puro vandalismo, o qual condeno e repudio assim como o senhor A. Pereira, autor do artigo referido. A verdade é que, na altura do acontecimento, me encontrava presente no local e presenciei a ocorrência.

É verdade também que não conhecia os autores do acto de vandalismo, uma vez que nunca os tinha visto na Escola Secundária Carlos Amarante (estabelecimento de ensino que frequento à cerca de três anos). Posso também afirmar que nestas inúmeras horas que passei dentro daquele estabelecimento de ensino, nunca me deparei com situações de tráfico de droga, abusos sexuais, ou até mesmo roubos.

Garanto até que o ambiente dentro da escola é saudável, assim como a relação com os professores e auxiliares de acção educativa. Quem lá trabalha e estuda, tem consciência disso.

O Senhor António Pereira (mais uma vez volto a referir que percebo a sua indignação assim como condeno o acto que presenciei) no seu artigo refere a Escola Carlos Amarante como possível local de estudo dos actores do acto de vandalismo. A verdade é que podem frequentar essa escola assim como todas as outras escolas que se localizam perto dela.

Como sabemos, a Escola em causa situa-se num local central (de passagem) para outros estabelecimentos de ensino como: Secundária Dona Maria II, Callouste Gulbenkian e até mesmo EB 2,3 Dr. Francisco Sanches. Logo, o facto dos acontecimentos terem ocorrido perto da Secundára Carlos Amarante é deveras inconclusivo para determinar o local de estudo dos autores da ocorrência.

Além disso, acho deplorável a generalização presente nos últimos parágrafos do artigo. É certo que existem casos de tráfico de droga nas escolas em Portugal, abusos sexuais e roubos. Mas, felizmente, é uma ínfima parte da população estudantil que se dedica a estes actos criminosos. Isto não implica que exista uma grande percentagem de alunos que apenas quer ter direito à formação para que um dia mais tarde, possa assegurar uma profissão que dê garantias de futuro.

Por último, dirigindo-me ao senhor A. Pereira: Não se esqueça que é esta “geração rasca” que, no presente, o senhor tenta educar com artigos como este, de críticas à comunidade estudantil em geral, que no futuro estará na frente do seu país. Passo a citar: “Os agressores, os drogados, os passadores de droga, os ladrões, os abusadores sexuais, estão lá dentro. São os próprios alunos! “.

Pergunto-lhe também: Será que só existem dentro da escola? Não existem lá fora em muito maior escala? Será que não existe em meios em que o senhor pensa muito mais civilizados? Não é preciso procurar muito para descobrir vários casos de assédio sexual (patrão/funcionária por exemplo)… Casos de pessoas muito bem sucedidas que consomem drogas ou traficam-nas.

Ladrões nem é preciso falar, ou o senhor não conhece nenhum caso de empresas famosas acusadas de fuga ao fisco e outros assuntos do género. Não é preciso ir a uma escola para ver destes crimes, eles acontecem todos os dias à frente dos seus olhos. Claro que nas escolas acontecem também coisas dessas (em muito menor escala que fora delas).

Por tudo isto volto a referir, ao contrário do que o artigo dá a entender que a escola Carlos Amarante é uma escola segura, e eu nestes três anos em que lá estudei nunca reparei em qualquer problema como os acima referidos.

Nota da Redacção: Sendo muitas as reacções a este tema, publicaremos apenas os textos que tragam alguma novidade.




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