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A formação do sentido social

No decurso do seu lento crescimento, dois movimentos, alternados e opostos, semelhantes aos da respiração, marcam ritmicamente a vida da criança. Oscilações periódicas a impelem, ora para se concentrar, ora para se dispersar.

N/D
23 Nov 2004

Desejo de se possuir (tendências egocêntricas e individualistas), impulso de expansão (inclinação gregária e sociabilidade), ambos indispensáveis para realizar o Homem completo, assinalado por dois caracteres essenciais: autonomia pessoal e actividade social.
O indivíduo é essencialmente social. É-o, não em consequência de contingências exteriores, mas como resultado de uma necessidade interior. O Homem não vive plenamente em si nem para si, senão vivendo entre os seus iguais e para eles.

Perdendo-se, encontra-se. O “dobrar-se” sobre si dá ao “eu” robustez e consistência; preserva-o da desagregação de que a sociedade o ameaça.

A expansão, porém, assegura-lhe a influência, a largueza da actividade; salva-o do isolamento que torna árido o seu espírito, bem como da avareza que o destrói.

A promoção do desenvolvimento harmonioso e equilibrado destas duas forças antinómicas constitui a essência do binómio educação/formação.

A personalidade só se constrói progressivamente pelo contacto (e convivência) social com outrem.

Através das experiências, umas prometedoras, outras gratificantes, algumas, quiçá, frustrantes, num processo simultâneo de individualização e de sociabilização, o Homem forma paulatinamente uma imagem de si próprio e do outro. Aprende a controlar a sua conduta e a adaptar-se a um grupo social e a uma comunidade mais lata, nos quais, guardando e preservando uma atitude crítica, assume obrigações e responsabilidades.

Este processo de sociabilização (aparentemente espontâneo) realiza-se sob a influência dos valores, das normas e da ideologia que norteiam a família, a escola e a comunidade.

É que a relação com os outros adquire características paradoxais. Por um lado, manifesta-se aí a partilha e a solidariedade, a ajuda e a cooperação. Por outro, gera-se o conflito e o antagonismo, a hostilidade e o choque de interesses.

Nestas circunstâncias, a relação social obriga ao estabelecimento de normas, de regras que determinam os direitos e os deveres de cada indivíduo, delimitando o espaço de conviviabilidade e permitindo a plena realização da intersubjectividade.

A sociedade, enquanto conjunto organizado e estável de pessoas que procuram juntas a concretização de determinados objectivos comuns, tenta harmonizar os conflitos de interesses existentes entre os seus membros.

Neste contexto, as reformas do ensino verificadas a partir, nomeadamente, dos meados do séc.XX, começam a enfatizar a vertente social da educação, cujo objectivo fundamental devia ser o de proporcionar ao Homem a consciencialização do seu lugar na sociedade.

Com efeito, o sistema educativo vem reformulando o domínio sócio-afectivo, com objectivos “logicamente” bem definidos e propostas de estratégias adequadas.

No entanto, o fosso entre a teoria e a realidade é ainda abissal, quer por carência de recursos materiais, quer por políticas “partidárias” ocasionais e avulsas que vão variando de acordo com o programa “ideológico” dos seus protagonistas.

Estamos a atravessar uma fase de “descolarização” da educação.




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