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Nótulas soltas da minha agenda

A Família e a Escola não podem guerrear-se. Têm que saber dar-se as mãos. Ajudarem-se mutuamente. Ainda irão a tempo?

N/D
22 Nov 2004

1 Da Editora Paulus, estou a ler, muito devagar, para “ruminar”, um livro – pequeno mas intenso que me tem tocado profundamente: “O Peregrino Russo – três relatos inéditos”. Linguagem simples. Ideias riquíssimas. Ando à volta do sentido, importância e simplicidade da oração. A não perder por quem tem preocupações deste âmbito.
2. Encontrei, há dias, na rua, o Padre António Janela, que foi Capelão da Marinha, na Guiné, quando prestei o meu serviço militar obrigatório como Oficial da Reserva Naval.

O que nós recordámos!… Tanto trabalho que lá se realizou: tempos de oração, outros de formação e outros de simples convívio. Tudo em espírito “interclassista” como se diz hoje. Praças, Sargentos e Oficiais da Marinha foram capazes de se encontrar como cristãos. Recordei ao Padre Janela (Capelão Janela como era conhecido ou, por brincadeira, o Janelão Capela!) como o seu espírito de bonomia era conciliador e benfazejo!

Não dava nas vistas: discreto e humildemente cumpria as suas obrigações de Capelão. E lembrámos o Jornal que criámos “Horizontes” de que guardo todos os exemplares. Como o tempo passa!… 35 anos já passados mas não esquecidos. Foi bom reencontrar o Padre Janela.

3. Falámos sobre rasteiras no futebol. Mas, dizia-lhe eu, “o que mais dói são as rasteiras do futebol da vida!”

4. Face a um aumento cada vez mais visível e significativo da delinquência juvenil, da toxicodependência e de outros comportamentos violentos e de desviantes, joga-se entre os “grandes educadores” – Família e Escola, um verdadeiro jogo de pingue-pongue. Os cidadãos assistem, impotentes, a este jogo do “a culpa é tua”!

Ninguém deseja assumir as suas falhas no processo educativo dos jovens que começa na família! Que a Escola falhou, tem falhado, como centro educativo complementar da Família, não há dúvida. E os Pais, têm consciência clara e plena do direito/dever primeiro de serem os “primeiros, principais e insubstituíveis educadores dos filhos?

Estas duas realidades educativas saberão que têm de dialogar, sem se agredirem nem desconfiarem uns dos outros? Estarão, por ventura, os pais conscientes de que o sistema de ensino entrou em falência por sua (deles, Pais) incúria?

Para muitos Pais a Escola, a escola dos seus filhos, funciona como arrecadação onde “enfiam” os filhos. Saberão muitos Pais que há professores dos filhos que são agredidos por estes física e psicologicamente? Que os docentes perderam toda a autoridade e que são sistematicamente humilhados pelo Ministério da tutela (há muitos Governos a esta parte!) e o seu trabalho não é minimamente valorizado?

Saberão muitos Pais, também, exercer a sua autoridade pedagógica em casa?

A Família e a Escola não podem guerrear-se. Têm que saber dar-se as mãos.

Ajudarem-se mutuamente.

Ainda irão a tempo?

5. A Comunicação Social fez grande alarido com a “Casa do Gaiato”, instituição Católica, fundada por um Homem de coração imenso – o Padre Américo – e a quem todos nós estamos, ou devíamos estar, profundamente agradecidos. Ao ler o que os jornais trouxeram, fica-se com a ideia de que a “Casa do Gaiato” é uma instituição perversa, horrenda e tenebrosa. Devia fechar. Já! O relatório, pelo menos o que li, chega a afirmar que “na concepção dos padres, a família é um mal a evitar”!

Ouvi a posição do ministro da tutela. Mais sóbrio e correcto. Dá-me a ideia, e devo estar muito errado, que há alguém interessado em destruir as IPSS e describilizá-las.

Vale a pena ler o artigo de António Marujo, no Público (04.XI.18) ” E que tal uma inspecção aos inspectores”. Recomendo vivamente a sua leitura.

6. Já aqui o escrevi, mas volto a fazê-lo: Portugal vive um tremendo “Inverno demográfico”. Por exemplo, mais de metade das famílias portuguesas vive sem jovens menores de 15 anos!




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