Fotografia:
Israel versus Berlim: quando muro parece diferente de parede!

Diziam os pais a uma criança, ensinando-a a soletrar: m-u, mu; r-o; ro; agora lê tudo junto: ‘parede’. O petiz sabia as letras, juntava-as em sílabas, mas quando era preciso fazer uma palavra lia outra coisa que lá não estava, embora com significado idêntico.

N/D
22 Nov 2004

É esta a imagem que dão certos políticos da nossa praça quando contestam – legítima e democraticamente – a construção de um muro entre Israel e os palestinianos, mas se esquecem – demagógica e hipocritamente – desse que foi designado o ‘muro da vergonha’ em Berlim e que foi derrubado há quinze anos, a 9 de Novembro de 1989.

De facto parece que ‘muro’ não tem o mesmo significado numa como noutra situação.

Com efeito, sente-se, mesmo que, por entre alguma confusão (mental ou até ideológica), há situações e factos (históricos) que têm interpretações muito díspares, atendendo ao filtro de quem tenta analisar ou até manipular.

A situação de Berlim era um espinho na gargantilha da Europa ofegante no pós-segunda guerra mundial, onde o regime comunista criou separação e hostilidade entre famílias, povos e nações. Estivemos – dizemo-lo por graça e bênção de Deus! – em 1986 (exactamente três anos antes do colapso: de 1 a 8 de Novembro) em Berlim e sentimos na carne as agruras dessa ‘democracia’ controlada, musculada e defendida por sicários do regime…

Percorrendo o que era possível ver, percebemos a retaguarda em que estavam… Perscrutando a vigilância policial, percebemos o militarismo reinante até nos símbolos dos sinais de trânsito… Pulsando a indigência estatal, percebemos o nivelamento pela base entre o povo, apesar das regalias da nomenclatura…

Decorridos quinze anos, surgiu nova ofensiva no Médio Oriente com idêntico carácter securitário, por entre novas ofensivas que têm tanto de libertador quanto de terrorista.

Há quem advogue – tanto de um como de outro dos lados – a necessidade de defender-se, ofendendo. Há quem faça crer que a outra parte é que tem a culpa. Há quem condene e outros idolatrem quem conduz um ou outro dos processos.

No meio desta complexidade cresce a sensação de que, por muito neutros que queiramos ser, não podemos estar à margem. Colocar-se de qualquer dos lados será sempre tentar perceber que é uma facção. Será esta a leitura dos nossos bem pensantes? Poderá alguém arrogar-se ‘senhor da razão’ só por por estar contra uma das partes? Até onde irá essa leitura maniqueia e/ou maquiavélica do que se passa no Médio Oriente?

Muro ou parede temos de saber ultrapassá-los, ajudando e sendo ajudados!…




Notícias relacionadas


Scroll Up